quinta-feira, 23 de maio de 2013

ÁGATA 7 - FAB e Polícia Federal empregam VANTs em ação conjunta na fronteira com o Paraguai






















A
 Força Aérea Brasileira (FAB) e a Polícia Federal (PF) utilizam pela primeira vez em ação conjunta aeronaves remotamente controladas, conhecidas como VANTs (veículos aéreos não tripulados). Durante a sétima edição da Operação Ágata, a FAB opera duas aeronaves e a PF mais duas, a partir de São Miguel do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná.


“O trabalho integrado amplia nosso raio de ação e permite um monitoramento ininterrupto, de dia e noite, em pontos de interesse”, explica o Comandante do Esquadrão Hórus, Tenente-Coronel Aviador Donald Gramkow. Além das ações de inteligência, os VANT`s também apóiam tropas do Exército que se deslocam na região sul. “Se suspeitos usam um caminho alternativo para fugir de uma barreira de fiscalização, por exemplo, nossas câmeras registram e temos condições de acionar o policiamento no solo”, afirma o Cel Gramkow.


Cada aeronave é pilotada de um centro de controle no solo que funciona em contêineres. O pequeno shelter repleto de telas de computadores em rede é dividido por pilotos e operadores de sensores. Câmeras de alta definição podem mostrar em imagens coloridas detalhes de um alvo observado.

 
No modo infravermelho, as imagens em preto e branco permitem identificar pessoas à noite ou escondidas sob a copa de árvores. Pela primeira vez, a FAB também emprega um imageador radar, que pode mapear uma região mesmo com o céu encoberto por nuvens. Todas as imagens captadas pelo VANT durante a Operação Ágata são transmitidas em tempo real ao Centro de Comando das Operações Aéreas, em Brasília.


O VANT da FAB, que pode ser empregado em qualquer ponto do país, tem peso máximo de decolagem de 450 kg, voa por até 16 horas seguidas e tem raio de alcance de até 250 km. Pode voar a uma altitude de até 5.500 metros.


A sétima edição da Operação Ágata reúne as Forças Armadas e mais de 20 órgãos governamentais ao longo de quase 17 mil km de fronteira com dez países sul-americanos.



EUA revelam pacote de armas para o F-15SE e para o F-35 no FX da Coréia do Sul


































Os EUA enfatizaram o pacote de armas contra alvos no solo, pois acreditam que a força aérea da Coréia do Norte seria derrotada em poucas horas.

O Departamento de Defesa dos EUA notificou formalmente o Congresso sobre a possível venda de armas para o Boeing F-15 Silent Eagle e do Lockheed Martin F-35 Joint Strike Fighter, que estão na disputa para fornecer 60 aeronaves a Coréia do Sul.

Seul deverá tomar uma decisão até o final de 2013. O terceiro candidato no FX Sulcoreano é o Eurofighter Typhoon.

O pacote de armas para o F-15SE vai custar US$ 823 milhões, enquanto que para o F-35 será de US$ 793 milhões. Os elementos chave de ambos os pacotes incluem 274 mísseis ar-ar de médio alcance AMRAAM AIM-120C-7, centenas de kits de cauda para Joint Direct Attack Munition (JDAM), 542 bombas de pequeno diâmetro Boeing GBU-39 / B dentre outras armas.

A lista de armas para as duas aeronaves (concorrentes) é direcionada para missões de ataque ao solo. Segundo fontes, numa eventual guerra, a força aérea da Coréia do Norte é obsoleta e seria dizimada em poucas horas, porém, no solo haveria maior resistência, com até 1.000 peças de artilharia em locais fortificados e dentro do alcance de Seul. A neutralização desta ameaça seria uma missão fundamental da força aérea sul-coreana nos primeiros dias da guerra.

Para a Boeing, à vitória do F-15SE no FX sulcoreano representaria mais tempo de vida na linha de montagem do Eagle.

No final de março, o Departamento de Defesa notificou o Congresso sobre uma potencial venda a Seul de F-15SE ou F-35. O F-35 é oferecido via FMS (Foreign Military Sales) num pacote de US$10,8 bilhões. A Boeing está oferecendo um pacote híbrido, composto por um acordo FMS e off-sets, no valor de US$ 2,41bilhões.



FONTE: fligthglobal – TRADUÇÃO: CAVOK

"Unsere Mütter, Unsere Väter": Série alemã sobre Segunda Guerra Mundial choca russos


O filme “Nossas mães, nossos pais”, exibido pelo canal de televisão alemão ZDF, conta a história de cinco jovens para os quais a Segunda Guerra Mundial se torna um desafio moral e ético, deixando a impressão de que a Alemanha está cansada de arrependimentos e tenta jogar a culpa sobre os outros. O filme basicamente apresenta os soldados soviéticos como estupradores, os poloneses como antissemitas desumanizados e os ucranianos como sádicos.

A diplomacia russa considerou inaceitável o filme e enviou uma carta ao embaixador da Alemanha dizendo que a “maioria absoluta dos russos que teve a oportunidade de assistir ao filme” o achou inaceitável. Também foram criticadas as tentativas de equiparar as atrocidades cometidas pelas tropas hitlerianas na URSS aos excessos isolados perpetrados por militares soviéticos na Alemanha, os quais foram severamente punidos pelo comando militar soviético.

Porém, não é novidade alguma que o cinema e mídia ocidentais deturparem o quadro real da Segunda Guerra Mundial. Ainda assim, a passagem do filme em que os soldados soviéticos invadem um hospital alemão, matando os feridos e estuprando as enfermeiras, causa especial indignação. Segundo a Sociedade Russa de História Militar, esses personagens selvagens foram copiados das obras de Joseph Goebbels e concebidos para disfarçar o fato de a Wehrmacht ter destruído a sangue frio a população civil da União Soviética.

Ultimamente, na sociedade alemã, vem se observando a tendência de desculpar os crimes cometidos pelos nazistas na União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial. O filme deixa a impressão de que os soldados alemães souberam o que seu governo nazista estava só quando entravam no campo de batalha. Os autores exploram o tema das saudades dos tempos calmos e felizes do pré-guerra como se não houvesse nenhum Hitler nem seu livro Mihna Luta (Mein Kampf), que apregoava a eliminação dos “sub-humanos”.

Alguns outros mitos modernos sobre a Segunda Guerra Mundial também foram retratados no filme. Segundo um deles, os soldados soviéticos na Alemanha eram indisciplinados e só corriam atrás de mulheres alemãs para estuprá-las. Conforme os autores do filme, o número de vítimas de abuso sexual por parte de soldados soviéticos chega a dois milhões. No entanto, os russos não são os únicos personagens “desumanos” do filme. Os poloneses e ucranianos são retratados como antissemitas persistentes.

Tais estereótipos foram cunhados pela propaganda Goebbels no início da guerra e apresentavam os soviéticos como selvagens que iriam estuprar todas as mulheres alemãs com idade entre 8 e 80 anos. No pós-guerra, o tema da violência supostamente praticada pelos soldados soviéticos na Alemanha foi martelado em publicações de alguns autores ocidentais. Em seguida, vieram à tona as revelações de médicos dizendo que pelo menos dois milhões de mulheres alemãs teriam sido abusadas sexualmente por militares soviéticos. Naquela época, a Guerra Fria já estava começando.

“É difícil imaginar que os soldados soviéticos na Alemanha tenham sido inofensivos e inocentes”, afirma o doutor em Ciências Históricas e diretor do Centro de História das Guerras e Geopolítica do Instituto de História Universal da Academia de Ciências da Rússia, Mikhail Miagkov. “Ao libertar seu país, os soldados soviéticos viram em todos os lugares aldeias queimadas, cidades destruídas e milhares de mortos, entre os quais crianças e idosos. Quais sentimentos eles poderiam ter em relação aos alemães? Só o ódio, tanto mais que essa atitude foi intensamente cultivada pela propaganda soviética porque a existência de nosso país estava sob ameaça”, diz o historiador.

Era difícil evitar atos de retaliação por parte dos soldados soviéticos na Alemanha. O território inimigo foi invadido por um enorme exército composto por pessoas muito diferentes. Para evitar atos de violência em relação às mulheres alemãs e aos civis, em geral, o comando soviético emitiu uma série de despachos prevendo sanções penais, inclusive a pena de morte, para o saque, estupros, fogos postos e danos premeditados.

Isso quando o comando alemão não achara necessário tomar medidas semelhantes para proteger a população civil soviética. Por exemplo, a Diretiva de 13 de maio de 1941, intitulada “Da jurisdição militar na região da Operação Barbarossa e poderes especiais das tropas alemãs” proclamou, de fato, um terror ilimitado no território da União Soviética contra a população civil. A liderança alemã acreditava que a violência no Leste Europeu teria efeito benéfico para o futuro. Portanto, os comandantes deveriam aceitar sacrifícios e parar de hesitar.







Outro lado da história

Quando, em 1944, o campo de concentração de Janowski, na região de Lviv, foi libertado, crimes monstruosos dos nazistas foram revelados. Segundo testemunhas, o diretor do campo de concentração Vilgauz costumava disparar “só por esporte” um fuzil a partir da varanda de sua casa contra prisioneiros que trabalhavam nas oficinas. Em seguida, passava o fuzil à sua mulher para ela fazer o mesmo. Às vezes, para agradar à sua filha de 9 anos, ele mandava jogar para o alto crianças de dois a quatro anos e disparava sobre elas. Sua filha aplaudia e gritava: “Papai, outra vez”.

Será mesmo possível os alemães reverem seu papel na Segunda Guerra Mundial? Por que os alemães precisam disso? Atualmente, a Alemanha é um dos países líderes da União Europeia. Para manter essa condição, a Alemanha deseja possuir uma boa reputação, inclusive histórica – como, por exemplo, melhorar a imagem do soldado alemão. Os alemães têm, certamente, dificuldades em aceitar a verdade histórica. Se a União Soviética não tivesse derrotado Hitler, hoje não haveria a Alemanha nem a Europa em sua atual forma.

Passados quase 70 anos desde o fim da guerra, muitos alemães procuram, se não remeter ao esquecimento, pelo menos encarar os feitos de seus pais e mães como algo que pode ser incluído em seu código genético histórico. Para tanto, o Ocidente se esforça por apresentar a Segunda Guerra Mundial como criminosa tanto por parte dos alemães quanto por parte dos russos.


Fonte: Gazeta Russa via Hangar do Vinna

quarta-feira, 22 de maio de 2013

E o Brasil, enquanto isso? Nada!

(Clovis Rossi – Folha de SP, 21) 1. Tem festa hoje no quintal do Brasil: os presidentes do México, Chile, Colômbia e Peru, reunidos em Cali (Colômbia), põem carne na ossatura da Aliança do Pacífico, anunciando a eliminação das tarifas de importação de 90% dos produtos que comercializam (os 10% restantes cairão em sete anos).

2. Não é preciso ser PhD em Harvard para desconfiar que esse novo bloco abre um rombo no projeto prioritário da diplomacia brasileira desde o governo Itamar Franco, reforçado na gestão de Lula, que é o da integração sul-americana, se possível latino-americana, atraindo também o até agora arredio México.

3. A Aliança do Pacífico não deixa de ser integração entre os três países sul-americanos mais o México, mas ela se fará de costas para Brasília e, como o nome indica, voltada para o outro oceano que banha a América do Sul. O novo conglomerado tornou-se objeto de desejo de Costa Rica e Panamá, sem contar o de países extracontinentais, como a Espanha, e o Canadá, que já está ligado ao México no Nafta (Área de Livre Comércio Norte-Americana, em sua sigla em inglês).

4. E o Brasil, enquanto isso? Nada

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

Modernização dos portos para competir com as nações amigas

Um dos atos marcantes na história econômica brasileira foi a abertura dos portos às nações amigas, decretada por D. João VI, ainda no Império, em 28 de janeiro de 1808. O ato significou a inserção de nosso país no comércio exterior. Outro marco deu-se em 1848, quando o Visconde de Mauá, patrono da Marinha Mercante, criou a Companhia de Estabelecimento da Ponta da Areia, em Niterói. De lá saíam os navios que operavam a navegação de cabotagem e também para as rotas internacionais.

Em 1869, o governo do Império editou a primeira lei de concessão de portos à iniciativa privada, por meio do decreto 1.746, assinado por Joaquim Antão Fernandes Leão, ministro e secretário de Estado dos Negócios da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. A medida foi coerente com a entrada em operação da ferrovia São Paulo Railway, ligando o Litoral ao Planalto (Santos-Jundiaí) e facilitando as exportações, em especial do café. Em 12 de outubro de 1888, mesmo ano em que proclamou a Lei Áurea, a princesa Isabel editou o Decreto de concessão (N.º 9.979), que autorizava o contrato com empresa privada para as obras de melhoramento do porto de Santos.

Essa breve retrospectiva histórica ilustra o decisivo papel dos portos, sua privatização e modernização para o avanço da economia brasileira. É de se lamentar, portanto, que, desde então, muito pouco tenha sido feito para que esses terminais se desenvolvessem na mesma proporção da demanda e das necessidades do comércio internacional brasileiro na era da globalização e da acirrada competitividade que a caracteriza. Por isso, apesar do processo legislativo truncado, foi importante a aprovação, no Congresso Nacional, da Medida Provisória dos Portos (595/2012).

A essência da medida, para que se entenda seu significado, se expressa nos novos critérios para a exploração e arrendamento à iniciativa privada dos terminais de movimentação de carga em portos públicos. A Lei dos Portos, de 1993, determina que a vencedora da licitação para arrendamento de um terminal será a empresa que pagar à União o maior valor pela outorga do serviço. A MP estabelece o critério da eficiência com menor tarifa. Ou seja, ganhará a licitação a companhia que garantir o maior volume de movimentação de carga pelo menor preço por tonelada. Outro aspecto importante é a possibilidade de terminais particulares passarem a atender cargas de terceiros, ampliando muito a oferta de serviços portuários, uma carência nacional. Que frutifiquem os investimentos de aproximadamente US$ 40 bilhões que se estima para os próximos anos, na esteira da MP.

Diante dessa medida modernizadora, é preciso, agora, apressar as reformas que o governo e o parlamento devem à sociedade, como a tributária, previdenciária, trabalhista, desburocratizante e providências garantidoras de mais segurança jurídica para os negócios. É fundamental equipararmo-nos à competitividade das melhores e maiores economias, num mundo onde as nações amigas têm custos logísticos e operacionais, impostos, juros e portos muito mais baratos do que os nossos, oferecendo às suas empresas diferenciais concorrenciais relevantes para enfrentar os nossos produtos no comércio global.

Por: Antoninho Marmo Trevisan, presidente da Trevisan Escola de Negócios, membro do Conselho Superior do MBC (Movimento Brasil Competitivo) e do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República).

FONTE: Portal Fator Brasil via Resenha do Exército

Fábrica de aeronaves na Paraíba já tem local definido



O vice-governador [da Paraíba] Rômulo Gouveia, o prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues e auxiliares da Prefeitura se reuniram, nesta segunda-feira (20), em Campina Grande com representantes da Paradise Indústria Aeronáutica e definiram o local onde Campina Grade deve instalar uma fábrica de aviões.

Rômulo revelou que o prefeito Romero Rodrigues já garantiu a área para implantação da indústria e a desapropriação deve acontecer nos próximos meses.

O vice-governador disse que vai entregar ao governador Ricardo Coutinho o projeto da fábrica e a proposta de incentivos fiscais, mas adiantou que um protocolo de intenções deve ser selado entre o Governo e a indústria no próximo mês.

O secretário estadual de Turismo e Desenvolvimento Econômico, Marcos Procópio, e o preside da Câmara Municipal, Nelson Gomes, também participaram do encontro.

A Paradise Indústria Aeronáutica surgiu em 2001 através da vontade de um apaixonado por aviação experimental em construir uma aeronave segura, com boa velocidade de cruzeiro, baixo stall, boa autonomia e capacidade de carga. Após muitos anos de pesquisas, com diversas excursões aos Estados Unidos da América no intuito de aprender a fabricar peças em fibra, desenvolvimento de perfis de asas e estruturas aeronáuticas, e o uso dos seus conhecimentos de anos de experiência no ramo da engenharia eletro-mecânica, o empresário Noé de Oliveira chegou ao seu projeto que o consagrou como um dos maiores projetistas do Brasil, tendo agora reconhecimento mundial, no qual sua aeronave ganhou certificação pela FAA como Light Sport Aircraft (LSA) e certificação na África do Sul.
A aeronave Paradise realizou seu primeiro vôo em 1999, na cidade de Feira de Santana/BA , sendo essa o sétimo projeto desenvolvido por Noé. A partir daí, com a ajuda de todos os colaboradores, clientes, parceiros, a aeronave vem melhorando a cada dia e conquistando seu espaço no cenário nacional e internacional.


COLABOROU: Henrique C O

terça-feira, 21 de maio de 2013

Brasil, paraíso do "business 171”

© Flickr.com/Andre Maceira/cc-by-nc-sa 3.0


Uma reportagem recente da agência Associated Press expôs ao mundo a péssima qualidade dos automóveis brasileiros, considerados “mortais” em relação aos similares fabricados em outros países.


Poucos anos antes de morrer, em 1997, o jornalista Zózimo Barroso do Amaral, morando em Miami, ironizou em uma crônica que um popular aparelho de barbear feito nos Estados Unidos fazia o dobro de barbas que o da mesma marca produzido no Brasil. Entre os extremos de um produto sofisticado e outro prosaico, separados por quase 20 anos, a realidade é que os casos podem ser encontrados em todos os setores.

Entre as omissões, mentirinhas e fraudes deslavadas, o Brasil tem internet vendida como banda larga mas que funciona à velocidade quase dos primórdios; de vez em quando tem leite e outros alimentos adulterados; tem edifícios que desmoronam e casa noturna incendiada por conta de materiais inadequados e falhas de projetos; tem certos agrotóxicos liberados quando em outros países foram proibidos; entre apenas alguns exemplos pinçados aleatoriamente.

Seja pagando em dinheiro mal gasto ou em vidas, os consumidores brasileiros estão acostumados. Nos casos mais graves, as autoridades invadem os meios de comunicação jurando punição, em cenas de comoção, histrionismo e teatralidade, mas raramente alguém acaba cumprindo pena (nos raros casos de condenação) ou a empresa sofre algum tipo de intervenção (os únicos casos são os bancos, mas somente porque envolve dinheiro público de garantia).

Mas como levar a sério, quando os governos são coniventes, omissos ou praticantes contumazes na venda de gato por lebre? Para ficarmos nos típicos exemplos vistos todos os dias na imprensa: anunciadas com pompa, um sem-número de obras públicas inacabadas ou com prazos estourados, mas sempre com os aditivos carimbados nos orçamentos das empreiteiras. E com o dinheiro dos cidadãos.

Os responsáveis públicos e privados negam sempre, naturalmente. Alegam que cumprem as normas e as leis e que os produtos passam por rigorosos testes de qualidade, mesmo quando as evidências não deixam dúvidas.

Voltemos ao exemplo dos carros nacionais. A Anfavea (entidade que agrega as montadoras) veio a campo desmentindo a matéria, mas vários componentes estruturais são mesmo de menor qualidade se comparado com os similares de outros países, como foi constatado pela insuspeita Latin NCap, órgão independente que faz testes com os veículos em vários países.

A consultoria Informercados Inteligência Comercial, em estudo sobre o mercado brasileiro de plásticos de engenharia (mais nobres, de alta resistência), feito para uma multinacional em 2011, demonstrou que em várias partes e componentes dos automóveis estão sendo usados plásticos menos nobres – “reengenheirados” - no lugar dos primeiros. Com base em afirmações de projetistas e executivos de compras das montadoras, mas principalmente das fornecedoras de peças injetadas sob encomenda, pôde-se verificar até a quantidade e volume embarcadas em comparação com modelos idênticos ou similares produzidos especialmente nas matrizes.

Para uma indústria mimada por incentivos regulares do governo, como redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a justificativa não assumida oficialmente é a necessidade de reduzir custos e aumentar a rentabilidade.

No fundo, é o mesmo argumento por trás de todas as situações. Ainda que de fato os custos de se produzir no Brasil sejam mais elevados, não justifica a falta de respeito indiscriminada.

Relevando entre todos os exemplos, no Brasil virou quase letra morta o 171 (artigo do Código Penal: “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”). Virou piada nacional, incorporada ao “jeitinho brasileiro”.

Em tempo: sim, acontece nos países desenvolvidos também – vide o exemplo recente da carne de cavalo em produtos anunciados como de carne bovina na Europa – mas se contam nos dedos.

E as punições acontecem.





Voz da Russia.

Economia dos EUA sofre com corte de gastos militares

Por Sergio Lamucci | De Washington


As despesas militares estão em queda forte nos EUA, causando um impacto negativo sobre o crescimento da economia, tendência que deve se manter ao longo dos próximos anos. A retirada das tropas americanas do Iraque no fim de 2011 e a perspectiva de saída do Afeganistão em 2014 explicam grande parte do recuo dos gastos com defesa, também afetados pelos cortes automáticos de despesas públicas de US$ 85,3 bilhões, que entraram em vigor em março, o chamado “sequestro”.

O HSBC estima que o tombo dessas despesas vai tirar 0,3 ponto percentual da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e mais 0,3 ponto no ano que vem, projetando avanço da economia de 1,7% em 2013 e 2,5% em 2014. O Fundo Monetário Internacional espera expansão um pouco mais forte, de 1,9% e 3%, pela ordem.

Os gastos federais com defesa subiram com força entre 2001 e 2010, uma trajetória iniciada após os atentados de 11 de setembro 2001 e relacionada às guerras do Afeganistão e do Iraque, diz o economista-chefe do HSBC para os EUA, Kevin Logan. Em 2000, as despesas militares eram cerca de 3,7% do PIB, número que subiu até atingir 5,7% no terceiro trimestre de 2010, de acordo com números das contas nacionais americanas. De lá para cá, essas despesas recuaram, batendo em 4,8% do PIB nos três primeiros meses deste ano.

No primeiro trimestre de 2013, as despesas militares caíram 11,5% em relação ao trimestre anterior, em termos anualizados, na série livre de influências sazonais, uma queda que se seguiu a outra de mais de 22% no quarto trimestre de 2012. São sinais de que a trajetória de queda veio para ficar, ainda que possa haver aumento esporádico em um ou outro trimestre, já que o comportamento trimestral dessas despesas costuma ser errático, como destaca Logan.

Economista-sênior do Bank of America Merrill Lynch, Michelle Meyer diz, em relatório, que a tendência de queda nos gastos não é nova, tendo se iniciado em 2010, em decorrência da redução das operações de guerra. “Nos últimos dois trimestres, o ritmo de queda se acelerou, o que provavelmente reflete alguma antecipação dos cortes relacionados ao ‘sequestro’”, afirma Michelle. Os cortes automáticos de gastos passaram a vigorar apenas em março, mas ela – assim como Logan – considera que algumas agências federais podem ter iniciado a contenção de despesas um pouco antes.

“Nós acreditamos que haverá reduções adicionais daqui para frente, esperando que os gastos com defesa continuem a declinar nos próximos trimestres”, diz Michelle. Dos US$ 85,3 bilhões de cortes previstos entre março e setembro, quando se encerra o ano fiscal de 2013, metade se refere a despesas militares. Se não houver mudanças na legislação, o “sequestro” continua até 2021.

Logan nota que boa parcela das despesas federais americanas são transferências, em que o governo desloca recursos de uma parte da economia para outra. Os impostos sobre a folha de pagamento, por exemplo, levam recursos dos trabalhadores para os aposentados, por meio da Previdência Social. No cálculo do PIB, os gastos dos aposentados são registrados como despesas de consumo, e não do governo. O mesmo vale para vários outros programas, diz Logan, citando o Medicare (o sistema de saúde para idosos) e o Medicaid (o sistema para os mais pobres).

Nesse cenário, grande parte do impacto direto dos gastos do governo federal sobre a economia ocorre por meio das despesas militares, destaca ele. As expansões e contrações nos gastos com defesa nas últimas cinco décadas são a principal explicação para os ciclos de longo prazo das despesas federais. Em meados dos anos 1960, houve uma expressiva alta dos gastos do governo americano por causa da guerra do Vietnã, que depois se tornou um peso sobre o PIB à medida que as despesas com as operações militares perderam força no começo dos anos 1970.

No fim daquela década, os gastos militares voltaram a aumentar, e se aceleraram durante o governo de Ronald Reagan (1981-1989), com um salto associado à intensificação da Guerra Fria, diz relatório do HSBC. Com o colapso da União Soviética, os gastos militares americanos recuaram como proporção do PIB a partir do começo dos anos 1990, até que os atentados de 11 de setembro de 2001 deflagraram nova rodada de aumento dos gastos militares e, por tabela, das despesas federais totais. A partir de 2010, voltaram a cair. Logan prevê que os gastos com defesa vão encerrar 2014 na casa de 4% do PIB.

A tendência de queda deve seguir nos próximos anos, diz Gregory Daco, economista-sênior da consultoria IHS Global Insight. Os grandes custos com guerras ficaram para trás, com as operações militares no Afeganistão devendo se encerrrar no ano que vem. Além disso, há cortes de gastos agendados para os próximos anos. Ele estima que os gastos militares, que ficaram em 4,8% do PIB no primeiro trimestre deste ano, atinjam 3,5% do PIB no fim de 2023.

A expectativa também é de encolhimento dos outros gastos discricionários do governo (aqueles não relacionados à defesa sobre os quais há maior autonomia da administração federal, que não incluem programas como a Previdência e o Medicare), diz Logan. Além de serem menos cíclicos, eles representam uma fatia menor da economia – ficaram em 2,6% do PIB no primeiro trimestre deste ano. Com isso, os cortes estimados para esses programas, de 5% até o fim de 2014, podem tirar mais 0,1 a 0,2 ponto percentual do crescimento neste ano e o mesmo tanto no ano que vem, estima ele. No total, segundo Logan, a redução dos gastos militares e não militares pode tirar de 0,4 a 0,5 ponto percentual em 2013 e também em 2014.

FONTE: Valor Econômico via Resenha do Exército

Brasil vai ajudar Haiti a formar novos engenheiros

O Brasil deverá ajudar o Haiti a formar engenheiros, capacitando-os a elaborar e executar projetos com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento do país caribenho. A oferta foi feita esta manhã pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, ao primeiro-ministro do Haiti, Laurent Salvador Lamothe, durante reunião na sede do Ministério da Defesa, em Brasília.

Segundo Amorim, o auxílio brasileiro compreenderá não somente o envio de professores e a estruturação do curso de formação de engenheiros, mas também a construção, em território haitiano, da estrutura física necessária para abrigar os alunos, além da aquisição dos equipamentos e do material que será utilizado nas aulas.

O curso deverá ser ministrado por docentes do corpo de engenheiros militares brasileiros. De acordo com Amorim, a ideia é formar cerca de 500 haitianos no Brasil e outros 1.000 no próprio Haiti. Esses profissionais sairão capacitados não somente nas habilidades específicas da profissão, mas também para lidar com ações de defesa civil e de resposta a catástrofes naturais, situações muito comuns na ilha caribenha.

A oferta brasileira foi bem recebida pelo representante haitiano. Lamothe afirmou que seu país está preparado para receber o apoio na formação profissional em engenharia. Ele lembrou que nos últimos três anos seu país sofreu três catástrofes naturais, incluindo o trágico terremoto de 2010, além de furacões.

Durante o encontro, ficou acertada a assinatura de um memorando de entendimento entre os dois países, cujos termos serão objeto de tratativas entre a diplomacia dos dois países. Em breve, o Brasil deverá enviar uma missão ao Haiti para discutir os detalhes da cooperação, que recebeu, segundo informou Amorim, o aval da presidenta Dilma Rousseff.

Nova etapa

A formação de engenheiros faz parte do conjunto de iniciativas que marcam uma nova etapa na cooperação do Brasil com o Haiti. Esse novo momento, como explicou o ministro brasileiro, deverá priorizar ações de caráter estruturante, que auxiliem o país caribenho a criar condições efetivas para seu desenvolvimento socioeconômico. “Iniciativas como essa fazem parte da herança que o Brasil quer deixar para Haiti”, disse Amorim.

O titular da Defesa afirmou que o Brasil não pretende retirar, de maneira irresponsável, suas tropas do país. Mas reiterou seu entendimento de que a permanência dos militares brasileiros não deve se perpetuar indefinidamente, criando o que ele chamou de uma “zona de conforto” para todos os envolvidos. “Queremos, progressivamente, deixar para o Haiti a responsabilidade por sua segurança e pela manutenção da lei e da ordem”, afirmou.

De acordo com o ministro da Defesa, parte dos recursos financeiros que serão investidos na formação de engenheiros haitianos deverá sair da economia resultante da desmobilização dos efetivos militares no país. O Brasil iniciou a redução de seu contingente, que deverá, em breve, voltar a ser de cerca de 1.200 homens, tamanho similar ao registrado antes do terremoto de 2010.

Amorim também citou como exemplos de ajuda de caráter estruturante, a possibilidade de o Brasil prestar apoio na formação da polícia nacional haitiana, e também tornar viável o financiamento para construção da hidrelétrica de Artibonite, no norte do país.

O ministro brasileiro citou tratativas em curso entre a Defesa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com o objetivo de obtenção dos recursos para a construção da usina. O Brasil já investiu US$ 40 milhões no projeto da hidrelétrica, que foi elaborado pelo Exército Brasileiro.

Segundo Amorim, há conversas envolvendo companhias brasileiras que teriam interesse no empreendimento. “Precisamos agora achar a empresa que irá financiar e construir”, disse Amorim, acrescentando que a usina poderá resolver um sério problema estrutural que inviabiliza o desenvolvimento do Haiti: a falta de energia elétrica.

O primeiro-ministro haitiano manifestou concordância com a proposta relativa à usina e aceitou a sugestão de Amorim de receber, em seu país, uma breve e futura missão com empresários brasileiros.

Lamothe enfatizou como uma de suas principais preocupações a área de segurança. Ele pediu apoio para treinar e equipar uma força de ação rápida – corpo de elite militar capaz de atuar em eventuais situações de falha da polícia regular. Segundo o representante haitiano, essa força seria constituída por 600 homens.

Amorim se comprometeu a ajudar Lamothe, explicando que, no Brasil, a competência relativa à formação policial e à segurança pública, cabe, no nível federal, ao Ministério da Justiça. Ambos combinaram que a embaixada do Haiti enviará ao governo brasileiro um pedido formal que será objeto de análise pelo órgão competente com o intuito de tornar viável a iniciativa.


Antes de dirigir-se à reunião, Lamothe e comitiva foram recebidos com honras militares pelo ministro brasileiro. Estiveram presentes ao encontro o comandante da Força Aérea, brigadeiro Juniti Saito; os chefes dos Estados-Maiores da Armada, almirante Eduardo Monteiro Lopes, e do Exército, general Joaquim Silva e Luna; além do chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e do secretário-geral da Defesa, Ari Matos Cardoso.


Nota G&D: "É mole ou quer mais?" o governo Brasileiro ja utilizou mais 1,9 bilhão de reais na missão (sub-imperialista) no Haiti, dinheiro este, que poderia ser utilizado para cobrir o imenso déficit educacional em nosso país, e, agora o governo "vem com essa" de gastar mais recursos públicos dos cidadãos brasileiros em uma missão que ja estava fadada ao fracasso antes mesmo de começar? Se a Presidente Dilma ainda não percebeu, o Brasil tem um dos piores sistemas educacionais do mundo, que país se desenvolve com esses indicadores? Falta escola para os estudantes brasileiros e o governo quer criar no Haiti?(como o FHC queria comprar plataformas em Cingapura) Isso me espanta ainda mais pois, essa missão de paz no Haiti foi inicialmente planejada pelos "grandes irmãos do norte" e agora quem vai pagar por isso, somos nós, Brasileiros que todos os dias reclamamos de pesadíssima carga tributaria que temos, é, as empreiteiras vão gostar dessa, mais engenheiros por um preço bem menor que o de mercado.

Dilma, " TA SERTO" (com "S" mesmo) 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Cerimônia de início das operações do navio-tanque Zumbi dos Palmares



Agência Brasil e Blog do Planalto destacam cerimônia em que Dilma Rousseff batizou petroleiro em Pernambuco


Brasília – A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (20), durante cerimônia de entrada em operação do navio-petroleiro Zumbi dos Palmares, no Porto de Suape, em Pernambuco, que o crescimento da produção de petróleo no país nos próximos anos vai estimular ainda mais o crescimento da indústria naval nacional. A expectativa da Petrobras é que, nos próximos sete anos, a produção atual de 2 milhões de barris, por dia, dobre.

“Não há como produzir isso sem construir plataformas, navios, equipamentos. Não há como produzir petróleo sem empregos qualificados. Portanto, estamos falando de uma indústria que tem futuro, que vai passar gerações e isso é muito importante porque queremos ser não só um grande produtor de petróleo e gás, mas também de navios, de plataformas, de equipamentos”, disse a presidenta.

Dilma ressaltou que a indústria naval passou de 2 mil para 54 mil trabalhadores nos últimos dez anos e agradeceu aos que fabricaram o navio “por mostrar que o Brasil pode, sim, construir um navio deste tamanho”. O Zumbi dos Palmares é a quinta embarcação entregue à Transpetro – subsidiária da Petrobras – produzida por meio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). O navio tem 274 metros de comprimento e capacidade para transportar 1 milhão de barris de petróleo.


Ao comentar a escolha do nome da embarcação, a presidenta disse que é uma homenagem a um dos heróis do Brasil. “Temos o nome, nesta embarcação, do Zumbi dos Palmares, que representa, sem dúvida, a luta contra a escravidão no país”, disse. Segundo Dilma, trata-se do reconhecimento da cultura negra como parte fundamental do que são os brasileiros, além de um sinal de repúdio à discriminação racial.

A presidenta* da Petrobras, Graça Foster, falou da necessidade de mais navios para transportar o petróleo produzido no país. “Nós vamos precisar de muito mais navios para buscar esse petróleo em alto-mar e é por isso que a demanda é grande e vai continuar grande por algumas décadas nesse país”.

Ainda na tarde de hoje, Dilma participa, ao lado do governador Eduardo Campos, da inauguração da Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, na região metropolitana do Recife. Estádio oficial da Copa das Confederações e da Copa do Mundo de 2014 no estado, a Arena recebeu investimentos de R$ 532 milhões e tem capacidade para 46 mil torcedores.

Para marcar a inauguração, haverá um jogo festivo entre equipes formadas por operários que trabalharam na construção do estádio. Antes do início da Copa das Confederações – dia 15 de junho –, a Arena Pernambuco vai sediar outro evento que servirá como teste: uma partida entre o Náutico e o Sporting de Portugal na próxima quarta-feira (22).


Promef e a indústria naval brasileira

O Promef, que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), encomendou 49 embarcações a estaleiros nacionais, garantindo as bases para o ressurgimento da indústria naval brasileira. O programa também possibilitou a abertura de novos estaleiros e a modernização dos já existentes, criando oportunidades de trabalho para milhares de brasileiros e um novo polo naval no Nordeste.

Criado em 2004, o Promef segue três premissas: construir navios no Brasil, ter índice de no mínimo 65% de conteúdo nacional e atingir competitividade internacional. Com cerca de R$ 11 bilhões em investimentos, três novos estaleiros foram viabilizados devido às encomendas do Promef, que já capacitou mais de seis mil trabalhadores, apenas em Pernambuco, e gerou 54 mil empregos.


FONTES e FOTOS: Agência Brasil (reportagem de Danilo Macedo) e Blog do Planalto


Nota G&D: Contraditório não? a Presidente Dilma privatiza os poços de petróleo entregando-os às petroleiras estrangeiras (com pequena participação da Petrobras) sendo esta, a única empresa que realmente encomenda navios e plataformas nacionais(muito acima do valor de mercado). Seria muita ingenuidade achar que as petroleiras estrangeiras pagariam 3 vezes o preço de uma embarcação so para “desenvolver a industria brasileira” as multinacionais querem simplesmente exportar petroleo in natura, não vão construir refinarias aqui, pois claro que preferem pagar pelo oleo bruto do que ao combustivel refinado. “Ah mais foi arrecadado 2 bi com os leilões do petroleo” esse valor não da pra pagar a reforma de uma cidade para a copa(so no Maraca foram gastos 1 bi), sendo que o valor do petroleo que esta na costa brasileira e estimado em 2 Trilhões (fora o pre-sal) ou seja, vamos receber 2 bilhões por vender 2 Trilhões em petroleo(19 bilhões de barris segundo a ANP). Parabéns povo Brasileiro esta fazendo papel de bobo novamente. 

O leilão do petróleo - parte do maior processo de privatizações na história do Brasil





(Nota Política do PCB)

A 11ª rodada de licitações de petróleo, ocorrida na última semana, não é exceção e sim regra na política traçada e posta em execução pelo Governo Federal e sua base de sustentação, em sua forma de se relacionar com a crise do capitalismo: a de exercer o maior processo de privatizações na história do Brasil, em salvaguarda ao capital privado nacional ou estrangeiro.

Dessa estratégia fazem parte as chamadas "privatizações brancas", como colocar os recursos financeiros e humanos de empresas estatais como o BNDES, a Petrobras, a Caixa e o Banco do Brasil a serviço de entes privados, no que se convencionou chamar de "política de formação dos 'campeões nacionais' ", ou em benefício explícito a grupos econômicos como o controlado pelo mega especulador Eike Batista; seja através da privatização nua e crua, como ocorre em todo o setor de infra-estrutura física (portos, aeroportos, estradas) quanto de telecomunicações (através da desoneração de R$ 6 bilhões em impostos, para garantia de que as operadoras consigam fazer os investimentos previstos em contratos com o Estado).

Privatiza-se ainda o presente e o futuro da previdência pública - a aposentadoria dos trabalhadores - através de mais desonerações, e o quadro tende a piorar com a retirada de direitos trabalhistas através do chamado Acordo Coletivo Especial (ACE), que conta com a aprovação militante das cúpulas do sindicalismo pelego atrelado ao governo.

Causa-nos estranheza, portanto, que este sindicalismo tenha vindo a público se comportar como se fosse realmente contrário ao leilão do petróleo, como tentaram fazer crer na última semana. A entrega dos recursos energéticos, reafirmamos, é regra e não exceção na política de Dilma - mesmo que seja a "cereja do bolo" de todo este processo.

11º Rodada- nem FHC ousou tamanho crime

Na terça-feira, 14 de maio, foram entregues a um capitalismo claudicante, exasperado por investimentos seguros e que garantam liquidez, 289 blocos de exploração de petróleo em 11 Estados - com previsão de produzir de 10 a 13,5 bilhões de barris. Esses são números conservadores.

A própria Agência Nacional do Petróleo (ANP) declarou que nos blocos licitados deverão ser descobertos 19,1 bilhões de barris de petróleo e gás que, com base no atual valor de mercado, alcançam o preço de venda de US$ 2 trilhões.

É revoltante, portanto, toda a mistificação da imprensa de que houve recorde de arrecadação (US$ 2,8 bilhões), já que a quantia arrecadada somou cerca de 1 milésimo do valor de mercado e que serviria apenas para reformar - com o "ágio" da corrupção - dois Maracanãs. Parêntesis: a desoneração da folha de pagamentos aprovada pelo governo Dilma inclui as empresas jornalísticas e de radiodifusão, beneficiadas até 31 de dezembro de 2014.

Tamanho crime de lesa pátria não para por aí: as regras da entrega do pré-sal devem ser publicadas até julho, e a nova rodada de "licitações" está programada para novembro.

Nesses seis meses que nos separam desse desastre anunciado, o Partido Comunista Brasileiro convida todos os trabalhadores a se somarem na luta contra tal crime. É preciso ainda reestatizar a Petrobras, sob controle popular, e dar fim à existência da malfadada ANP.


Será que o X-47B significará o fim do Super Hornet na Marinha dos EUA?




Jornal da cidade americana de St Louis, onde a Boeing fabrica o Super Hornet, questiona se o primeiro voo do drone X-47B aponta para o final da produção do caça – Já a Boeing aposta em novas encomendas, o que inclui Austrália e Brasil, para manter a linha aberta por mais tempo


A decolagem do drone (aeronave não tripulada) X-47B do convoo de um porta-aviões da Marinha dos EUA (USN), na quinta-feira passada, é um fato que eventualmente poderá afetar uma das maiores fábricas na área de St. Louis, segundo reportagem de domingo (19 de maio) do jornal STL Today.

O evento foi considerado histórico, apesar do X-47B construído pela Northrop Grumman não ter ainda pousado num porta-aviões, o que é considerado um dos feitos mais difíceis na aviação. A USN espera que isso ocorra ainda em meados deste ano e que, por volta do final desta década, drones formem uma parte considerável da frota aérea de combate.


Tudo isso levanta algumas questões importantes sobre o futuro do caça que, hoje, forma a maior parte da frota aérea de combate da USN, o F/A-18 Super Hornet.

O jato, assim como seu irmão E/A-18 Growler, de guerra eletrônica, é montado pela Boeing Co. no norte de St. Louis. Cerca de 5.000 pessoas trabalham no programa, de cuja linha de produção (a última grande linha de montagem de aeronaves na região) sai aproximadamente um jato por semana, por cerca de 55 milhões de dólares cada. Os drones prontos para o combate seriam competidores diretos.

Ainda levará anos até que o X-47B esteja pronto para produção em massa, e ninguém espera que ele substitua totalmente os jatos tripulados na frota da Marinha. Mas especialistas em defesa como James Lewis, do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, dizem que os caças robóticos estão inevitavelmente em ascensão.

Segundo Lewis, eles “não trazem risco para uma vida humana, para o piloto. Eles são mais furtivos. Se você consegue fazê-los trabalhar, farão o trabalho muito bem. Este será o futuro”. A USN ainda está determinando o que, exatamente, deseja com seu sistema não tripulado de ataque e vigilância aéra lançado de porta-aviões, ou UCLASS (Unmanned Carrier-Launched Airborne Surveillance and Strike system), como vem designando a indústria. Um porta-voz da Marinha disse esperar o lançamento de uma concorrrência para o contrato no ano que vem.


Porém, o protótipo X-47B já mostra algumas claras vantagens sobre o Super Hornet, a maior delas referente a remover o humano da equação, significando que pode voar por dias, e não somente por algumas horas. Isso é crucial para missões de vigilância, para as quais a Marinha deseja utilizar primeiro os seus drones. Ainda não há planos, no momento, para armá-los.

Segundo o especialista James Lewis, isso poderá mudar. Apesar de não ver caças tripulados serem descartados totalmente, ele prevê um futuro em que um jato tripulado lidera um esquadrão desses drones na batalha, para então recuar e deixar a batalha com eles. Assim, a Marinha acabará não precisando de uma frota completa dos dois tipos: “Cada drone a mais significa um avião a menos”, disse Lewis.

Por hora, a linha de montagem da Boeing parece estar segura. A empresa tem um contrato que vai até 2016 para produzir caças Super Hornet e aviões de guerra eletrônica Growler para a Marinha, e tem prolongado a duração da linha com vendas internacionais para a Austrália e, conforme as esperanças da empresa, para o Brasil.


Enquanto isso, a Boeing desenvolve novas tecnologias que espera ver resultar em mais encomendas de F/A-18, especialmente se atrasos e aumentos de preço continuem a afetar o F-35 “Joint Strike Fighter” (JSF – caça de ataque conjunto) da Lockheed Martin, considerado o eventual substituto para o Super Hornet na frota da USN. Segundo um pronunciamento da empresa, “há muito interesse em encomendas adicionais domésticas e internacionais. O Super Hornet continua a se desenvolver com novas capacidades da próxima geração”.

Além disso, alguém tem que produzir todos esses drones, o que será por si um trabalho multibilionário. A corrida já começou. A Northrop Grumman venceu a Boeing para o contrato de 1,4 bilhão de dólares por um protótipo, o X-47B que voou na quinta-feira. Porém, assim como diversos outros projetos não tripulados, a Boeing continua a trabalhar em seu próprio drone Phantom Ray, com recursos próprios. Isso permitiu à empresa entender melhor a tecnologia dos não tripulados, segundo a sua porta-voz Deborah VanNierop: “Estamos tarbalhando em UCLASS, mas ainda não divulgamos publicamente informações a respeito. Ainda não estamos nessa etapa.”


Ainda segundo VanNierop, ainda é cedo para saber onde esses drones da Marinha serão construídos, no caso da Boeing ganhar o contrato. Tudo isso vai começar a tomar forma ao longo do próximo ano, quando a USN lançar sua concorrência UCLASS. O Comando da USN quer os drones voando por volta de 2020, o que significa que o processo precisa ser iniciado.

Alguns analistas, porém, estão céticos. Richard Aboulafia, vice-president do Teal Group, uma empresa de consultoria em defesa da Virgínia, disse não ver uma grande vantagem para drones em relação a caças tripulados, ao menos por enquanto. Além disso, ele destacou que concorrências por contratos de defesa de alto custo tendem a se esvaziar.

Aboufalia explicou: “Precisamos manter o conceito em desenvolvimento, mas ao menos na minha opinião vai levar mais tempo do que o esperado. Eu imagino que a revolução do remotamente pilotado foi algo promovido além do seu real valor.” Se ele estiver certo, isso significaria, não importando o que aconteceu na última quinta-feira na costa da Virtínia, que pessoas vão continuar montando Super Hornets em St. Louis por muitos anos.


FONTE: STL Today (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

FOTOS: Marinha dos EUA (USN) e Boeing

O país do Rafale teria perdido o encontro marcado com os drones?




É o que pergunta reportagem do jornal francês Les Echos, a partir de declarações do ministro da Defesa Jean-Yves Le Drian após a compra de dois drones dos EUA pela França


Segundo reportagem publicada no domingo, 19 de maio, pelo jornal francês Les Echos, essa pergunta do título retrata o que pensa o ministro da Defesa Jean-Yves Le Drian, conforme declarações deste no final de semana. Le Drian, que encontrou em Washington sua contraparte norte-americana na sexta-feira, confirmou a compra pela França de dois drones (veículos aéreos não tripulados) “Reaper” de vigilância, produzido nos EUA pela General Atomics.

Os drones serão entregues não armados no final do ano, para uso imediato em missões exclusivas de inteligência no Mali. Porém, especialistas no assunto dizem que eles poderiam ser facilmente armados para tranformá-los em “matadores”.


O ministro francês também confirmou negociações paralelas com Israel, sem especificar o número de veículos aéreos não tripulados que a França poderia adquirir desses dois países.

A Operação “Harmattan” sobre a Líbia e o atual conflito no Mali mostraram claramente que as Forças Armadas Francesas são dependentes de informações coletadas por drones dos Estados Unidos, e isso seria “culpa” de uma mudança estratégica mal-negociada na década de 1990, assim como de uma falta de cooperação no assunto entre industriais franceses. Como resultado, nem a Dassault nem a EADS produz drones hoje.

O ministro Le Drian afirmou: “A França não produz drones, o que não combina com uma nação que tem um conhecimento tecnológico considerável.” Nesse contexto, negociações com EUA (Reaper, a serem entregues) e Israel (país que produz o Heron, que gerou a versão Harfang para a França) parecem ser uma solução emergencial, o que foi assumido pelo ministro quando declarou que Paris não poderia se permitir a aguardar dez anos até que os industriais finalmente decidissem agir em conjunto.

Isso coloca pressão em líderes preocupados em deixar de lado velhas rivalidades e trabalhar conjuntamente nesse problema. Segundo o ministro da Defesa da França, foi requisitado que a indústria francesa e europeia estabeleçam uma relação “para desenvolver o que poderá ser o futuro drone de nova geração”, acrescentando que não seria apenas francês, mas um programa franc0-germano-britânico.

O jornal relembra, ainda, que nos Estados Unidos (que é a maior potência militar mundial), os drones mudaram a face da guerra, e que observadores independentes acreditam que cresceu enormemente o número de ativistas eliminados no Paquistão e no Iêmem desde 2009, data de subida ao poder do presidente Barack Obama, no contexto da guerra a líderes da Al-Qaeda e outros movimentos terroristas.


FONTE: Les Echos (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em francês)



domingo, 19 de maio de 2013

Além do sistema Pantsyr, Rússia continua oferecendo caça Su-35 ao Brasil





Proposta russa incluiria 100% da tecnologia para produção do Su-35, assim como elementos da tecnologia do caça de quinta geração


Segundo reportagem da Ria Novosti realizada a partir do Peru, a agência russa de exportação de defesa Rosoboronexport está oferecendo mais do que o sistema antiaéreo Pantsyr ao Brasil: o caça Sukhoi Su-35 também é oferecido.

A reportagem trouxe a informação de que o chefe da Rosoboronexport, Sergei Ladygin, disse que a oferta do Su-35 ao Brasil se dá por fora da concorrência F-X2, em andamento. Em 2009, o caça russo não foi incluído entre os três finalistas da disputa. Ladygin afirmou: “Apesar da Rússia ter saído da competição, nós ainda assim fizemos uma oferta paralela ao Brasil, fora da concorrência, para mísseis Pantsir e caças Su-35. A nossa proposta está sendo examinada.”


O executivo, que participa de uma exposição de armamentos em Lima, capital do Peru, disse ainda que a Rússia está pronta para transferir toda a tecnologia para a produção do Su-35.

“Estamos pront0s para transferir 100% da tecnologia para a produção do caça Su-35, até mesmo com elementos da tecnologia do caça de quinta geração, disse Ladygin. O Sukhoi Su-35 é um caça multitarefa que foi considerado de “4++ geração, utilizando tecnologia de quinta geração” (Nota do editor: a frase está entre aspas na matéria original mas não é dito quem a pronuncia). Equipado com dois motores 117S com vetoração de empuxo, combina alta manobrabilidade com a capacidade de engajar diversos alvos aéreos simultaneamente.


Quanto ao Pantsyr-S, produzido pela KBP, trata-se de um sistema que combina dois canhões de 30mm e doze lançadores de mísseis 57E6 guiados por comando de rádio, num veículo que também é equipado com um radar de controle de tiro e sensor eletro-óptico.

O sistema é projetado para engajar diversos tipos de alvos a baixas altitudes, a um alcance de 20km para os mísseis e 4km com os canhões, segundo a KBP, e a versão de exportação Pantsyr S1 já foi vendida para os Emirados Árabes Unidos, a Síria e a Argélia.

Desenvolvimento de sistema de defesa aérea de longo alcance com a Turquia

O ponto mais destacado da reportagem da Ria Novosti, porém, é a afirmação de que a Rússia está pronta para desenvolver um complexo de sistema de defesa aérea de longo alcance com a Turquia, baseado no sistema de mísseis superfície-ar S-300. A afirmação também é creditada ao chefe da Rosoboronexport, Sergei Ladygin.

Segundo a reportagem, a Turquia lançou uma concorrência para adquirir um sistema de defesa aérea de longo alcance há bastante tempo, mas até hoje nenhum vencedor foi anunciado. Ladygin afirmou que “a Rússia está pronta para oferecer, como parte do programa, um produto conjunto russo-turco baseado no sistema Antey-2500 (versão de exportação do sistema S-300). Por exemplo, a montagem do sistema de defesa aérea num chassis turco”.

A Rosoboronexport também propôs que a Rússia e a Turquia unissem esforços para promover esse sistema de defesa aérea para mercados do terceiro mundo, segundo o executivo. “É possível discutir a venda da licença de produção desse sistema em outros países do mundo”, disse Ladygin.


A versão avançada do sistema de mísseis S-300, denominada S-300PMU1, tem um alcance de mais de 150km e pode interceptar mísseis balísticos e aeronaves a baixas e altas altitudes, sendo efetiva para rechaçar ataques aéreos, segundo a reportagem. O S-300V/Antey 2500 (SA-12 Gladiator/Giant) consiste num veículo de comando, uma série de radares avançados e até seis veículos remuniciadores assignados para cada lançador.

Rosoboronexport quer assinar contrato de helicópteros Mil Mi-17, com o Peru, até o fim do ano

Ainda segundo o executivo russo, a Rosoboronexport também pretende assinar um contrato, até o final do ano, para fornecer 24 helicópteros Mil Mi-17 para o Peru. A aeronave Mi-17V-5 é projetada para tarefas utilitárias de carga, podendo acomodar até 36 opassageiros ou quatro toneladas, oferecendo painel com telas multifunção e motores TV3-117VM aprimorados.

Atualmente, o Exército Peruano opera cerca de 100 helicópteros Mil, segundo a reportagem.


FONTE: RIA Novosti (tradução e edição do Poder Aéreo a partir de original em inglês)

IMAGENS: OAK - Объединенная авиастроительная корпорация (UAC – United Aircraft Corporation) e RIA Novosti


sábado, 18 de maio de 2013

Apostasia coletiva marca ativismo por Estado laico na Argentina

No país do papa, religiosidade popular se revitalizou, assim como o ativismo dos que decidem romper vínculos com Igreja


A eleição do papa Francisco, em março passado, reacendeu o debate sobre o Estado laico na Argentina. Com o ex-arcebispo de Buenos Aires à frente da Igreja, o catolicismo ganhou destaque nos meios de comunicação e nas ruas, assim como o ativismo por um Estado sem vínculo com religiões.

Com mais de 21 mil membros na rede social Facebook, o movimento Apostasia Coletiva organizou eventos nas principais cidades do país, entre 24 de março (data do aniversário do último golpe militar) e a semana santa, para que grupos de pessoas que querem anular seu batismo entreguem coletivamente o pedido às dioceses.

“É uma expressão coletiva de desacordo, de protesto”, aponta Andrés Miñones, do movimento Apostasia Coletiva, em entrevista a Opera Mundi. “O trâmite é pessoal, mas fazê-lo em conjunto ajuda a compartilhar as dificuldades e a aprender com a experiência de outras pessoas que já tramitaram a anulação de seu vínculo com a Igreja.”

Pao Lin/Creative Commons

Apostasia coletiva em Buenos Aires pede separação entre Estado e Igreja


Andrés acredita que, com Francisco no Vaticano, a Igreja ganhou legitimidade para avançar sobre temas como aborto ou educação sexual para adolescentes em escolas públicas. “No entanto, as necessidades do país, como os direitos das mulheres, não devem mudar porque o papa é argentino”, acredita. “Queremos a possibilidade de um Estado laico, com maior separação da Igreja.”

Constituição

Segundo dados do Questionário sobre Crenças e Atitudes Religiosas na Argentina, realizado pelo Conicet (equivalente ao CNPq) em 2008, 76,5% dos entrevistados se reconhecem como católicos. Ateus, agnósticos e pessoas que afirmam não ter religião aparecem em segundo lugar (11,3% dos entrevistados), seguidos por evangélicos, que somam 9% do total.

Para Fernando Lozada, um dos fundadores da Associação Civil Ateus de Mar del Plata, a apostasia é uma forma de retirar apoio à Igreja, que usa o número de fiéis na Argentina como justificativa para que o Estado sustente a instituição no país. “A Igreja legitima seu discurso com o argumento de que estão unidos ao país por uma tradição, que são parte dos processos de construção da nação. É falso. Muitas revoluções latino-americanas foram condenadas pela Igreja”, lembra. “E também se legitimam pela quantidade de fiéis que contabilizam em seus registros, para afirmar que o país é majoritariamente católico.”

Pao Lin/Creative Commons
Em março de 2013 portenhos anulam seu batismo

O artigo 2º da Constituição argentina dispõe sobre o dever do governo federal de “sustentar o culto católico apostólico romano.” As leis 21.540 e 21.950, ambas decretadas durante a última ditadura militar e vigentes até hoje, determinam que o governo deve pagar os salários e as aposentadorias de integrantes do clero. A remuneração mais alta, de arcebispos e bispos, é equivalente a 80% do salário de um juiz federal de primeira instância, enquanto os auxiliares recebem o equivalente a 70%. do mesmo. A educação confessional católica também é subsidiada pelo governo argentino.

Estado laico

Em um cenário onde a separação entre Igreja e Estado não é muito clara, a apostasia coletiva passou a ser um instrumento de ativismo pelo laicismo. “A ideia de apostatar em público e de forma coletiva é inspirar outras pessoas, romper com o medo, com a sensação de que a Igreja é muito poderosa e não pode ser enfrentada. É um movimento político, uma manifestação contra seus dogmas e sua participação nefasta na história”, explica Lozada. “Rompemos o vínculo com a Igreja porque fomos filiados a ela quando não tínhamos possibilidade de escolher. Filiar bebês a partidos políticos seria uma loucura, mas filiá-los à Igreja Católica, que também é política, parece ter mais aceitação.”

O músico Fabian Lap, que já preparou os documentos e planeja apostatar em breve, conta que há cinco anos passou da indiferença à vontade de anular seu batismo. Para ele, um papa argentino pode influenciar alguns debates sobre mudanças na legislação, mas não quer que isso seja feito em seu nome. “Não é um capricho, é uma decisão íntima. Não quero que me contem na base de apoio de uma instituição que se opõe aos direitos civis de todos que não nos sentimos representados por ela.”

Ele conta que entrou em contato com o movimento Apostasia Coletiva por meio de redes sociais e que as informações sobre os trâmites burocráticos que o coletivo disponibiliza ajudam a quem deseja apostatar. “É uma forma de gerar massa crítica para pressionar a laicização do Estado. Por mais delirante e utópico que seja, contem comigo”, afirma.


Paola Raffetta sofreu na pele a interferência da Igreja Católica na esfera civil argentina. Ex-professora da Universidad del Salvador, instituição de ensino superior fundada pela Companhia de Jesus, ordem a que o papa Francisco pertence, ela foi demitida em 2009, 24 horas depois de aparecer nos meios de comunicação como uma das pessoas que participavam da primeira apostasia coletiva de Buenos Aires.

Atualmente Paola briga na Justiça para receber indenização pela demissão e o processo está na fase de apelação, segundo ela porque o valor fixado em primeira instância era muito inferior ao que corresponde em seu caso. Militante da Apostasia Coletiva, ela acredita que o maior desafio é fazer com que a Igreja se submeta à legislação civil na Argentina.

“Nós não queremos apenas que anulem nosso batismo, exigimos que nossos nomes sejam apagados dos registros da Igreja, em respeito à lei de Proteção de Dados Pessoais”, reclama Paola. Muitos apóstatas se queixam de que, mesmo após concluir o trâmite, seus nomes figuram em listas de paróquias com uma ressalva que informa que pediram a anulação de seu vínculo com a instituição. “São listas negras”, denuncia.

Pao Lin/Creative Commons
Ativistas por Estado laico celebram sua apostasia em Buenos Aires depois da eleição do Papa Francisco

Em uma resolução de outubro de 2010, a Direção Nacional de Proteção a Dados Pessoais considerou, baseada em uma interpretação da Corte Suprema espanhola, que as listas de apóstatas mantidas pela Igreja Católica na Argentina não configuram registros porque não estão sistematizadas, são dados espalhados pelas paróquias. Pela lei, partidos políticos, sindicatos e outras instituições só podem ter listas de seus membros, mas não está permitido que tenham o registro de quem não está vinculado a eles.

Paola também conta que existe uma dificuldade muito grande em fazer com que a Igreja informe quais dados sobre as apostasias estão em seu poder. “A instituição não dá a menor importância à lei civil, exceto para fazer oposição a temas pontuais, como o aborto ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.”

Papa e apostasia

Como são trâmites descentralizados, que dependem de cada diocese, o movimento Apostasia Coletiva não tem números exatos sobre a quantidade de pessoas que, desde 2009, decidiram romper o vínculo com o catolicismo na Argentina. No entanto, Fernando Lozada afirma que a eleição de Francisco teve um impacto importante na procura por apostasias em Mar del Plata.

Arquivo/Associação Civil Ateus de Mar del Plata
Em 2011, Fernando Lozada (8.º na fila) participa de apostasia coletiva em Mar del Plata

“Desde que Bergoglio chegou ao papado, organizamos apostasias permanentes, todas as quintas-feiras às 20h”, informa. A última, realizada depois de que o ex-arcebispo de Buenos Aires foi eleito papa, reuniu 240 pessoas, segundo os números da organização. Na mesma semana, houve eventos similares nas cidades de Buenos Aires e La Plata.

A pouca representatividade de outras religiões no Congresso argentino faz com que o ativismo por um Estado laico se concentre na oposição dos militantes à influência do catolicismo em debates sobre leis sensíveis aos religiosos, como a legalização do aborto.

Pao Lin/Creative Commons