sexta-feira, 22 de março de 2013

Apostando no BRICS


A quinta cúpula do BRICS, a realizar-se nos dias 26 e 27 de março, poderá, por todas as razões, dar início à articulação de um novo bloco internacional, no sentido exato do conceito. As próprias realidades urgem alteração do ordenamento político e econômico atual do mundo.


O fórum do BRICS, de que participarão líderes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, irá acontecer em Durban sul-africana. As delegações abordarão diversas variantes de reestruturação da economia e do sistema financeiro mundial. No entanto, espera-se que o foco dos debates vá centrar-se na questão de transformação eventual do clube das cinco maiores economias emergentes do mundo em genuíno organismo de caráter global .

A situação que ocorre no mundo atual, incluindo os mais recentes acontecimentos em torno de Chipre, patenteia que o sistema econômico-financeiro existente experimenta uma grave necessidade de reformulação, acredita Evgueni Astakhov, professor catedrático do departamento de diplomacia da Universidade das Relações Exteriores de Moscou e membro do comitê nacional russo para estudos do BRICS. Portanto, a Rússia desejaria que o BRICS de um espaço de diálogo e discussão se convertesse num verdadeiro organismo eficaz e eficiente, comenta o especialista para os ouvintes da Voz da Rússia:

"Sem esperar que os Grupos dos Sete, dos Oito ou dos Vinte aprovem essa ou aquela decisão necessária, é necessário, desde já, incentivar e acelerar o processo de formalização do BRICS. Agora estão falando de que no outono seriam institualizados um euro para a Europa do Norte e um outro euro para a Europa do Sul. Talvez, estes projetos não se tornem realidade, mas já se está falando nisso. Pois bem, acaso seguiríamos confiando na máquina de imprimir dinheiro dos Estados Unidos, os que a põem a funcionar excepcionalmente em seus próprios interesses? Nós precisamos, afinal de contas, começar a passar, pelo menos nesta etapa, a cálculos entre os países membros do BRICS usando suas divisas nacionais. Já é hora de passarmos das palavras às obras. É esta a quinta-essência da cúpula, não é por acaso que Putin irá participar dela."

Não obstante, cada um dos países, mesmo no âmbiro do BRICS, persegue seus próprios interesses. A Rússia, por exemplo, conta com que os parceiros do BRICS, segundo opina Evgueni Astakhov, ajudem-na a abrir novos horizontes para suas atividades econômicas exteriores e reforçar posições políticas no palco internacional. Pois todas as tentativas de Moscou para organizar uma cooperação eficaz com o Ocidente não dão rendimento real. A China, por sua vez, está apostando, segundo acreditam peritos, em ganhar liderança no quadro do BRICS, para competir mais insistentemente com os EUA no combate pela influência global. A Índia e o Brasil esperam, como mínimo, que a Rússia e a China lhes dêem seu apoio para obter o status de membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

“Por enquanto é dificil dizer como será formalizado esse organismo, porque todos os países integrantes (do BRICS) já são membros de muitas organizações, inclusive alguns deles participam de associações comuns – salientou em entrevista à Voz da Rússia o analista do Instituto dos Estudos Internacionais da Universidade das Relações Exteriores, Leonid Gusev. – Assim, a Rússia, a Índia e a China são membros da Organização para Cooperação de Xangai. Ainda não está bem claro se vale a pena edificar mais um organismo com estrutura complexa ou não. Eu acho que, de todas formas, há-de esperar ainda mais para ver como vai evoluir tudo isso”.

Seja como for, mas a esfera de interesses comuns dos parceiros do BRICS é bastante ampla. Prevê-se instituir um Conselho Empresarial do BRICS, entre os bancos nacionais de fomento dos cinco países já está funcionando o convênio de interação financeira. Na ordem do dia fica a criação de um banco de fomento do BRICS e de um fundo comum de reservas monetárias. Além disso, está previsto instituir, no âmbito do BRICS, um foro científico e um conselho de centros analíticos. Este último terá como objetivo efetuar análises políticas e elaborar estratégias de longo prazo do BRICS.

No entanto, a tarefa de desenvolvimento do organograma do BRICS requer, em primeiro lugar, a criação de um órgão de coordenação permanente. Nesse sentido, é bastante promissora a proposta da Rússia para constituir uma espécie de secretaria virtual. No foro de Durban será apresentado um projeto do sistema informático global, o qual se pretende vertebrar a base de um cabo óptico transcontinental que ligará os centros econômicos dos países do BRICS.

Aliás, o mais importante, segundo parece, é que os participantes do fórum não se atolem em discussões sobre problemas bilaterais não resolvidos, perdendo o principal. E o principal consiste em que todos os cinco Estados apostam no BRICS e as apostas são altas

Aldeia Maracanã: a culpa também é do PT e do Governo Federal

CLASSIFICADO EM PCB - OLHAR COMUNISTA

O Olhar Comunista fecha a semana denunciando a complacência do PT e do Governo Federal com a truculência do governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral Filho, acerca da expulsão dos indígenas da Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro.

Com as alianças eleitorais de 2014 ainda em aberto, o Partido dos Trabalhadores e o Palácio do Planalto deixam todo o inevitável desgaste público pela remoção nos colos do governador fluminense - que, em geral usa métodos truculentos e muito pouco democráticos -, como se nada tivessem a ver com isso.

Não podem enganar a todos, ao menos este Olhar: é nítida a omissão e complacência da Secretaria Nacional de Direitos Humanos e da Funai, órgãos do governo petista, com a expulsão dos índios.

E "cravamos" o porque desta omissão e complacência: o maior interessado na remoção, Eike Batista - que afirmamos, sem medo de errar, que certamente será o escolhido para administrar o Complexo do Maracanã caso o processo de privatização siga adiante - é queridinho das hostes governistas.

Que vergonha, petistas...

Política, Estratégia Nacional e Livro Branco de Defesa

Já seguiu para a Câmara dos Deputados o Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 576/2012, que trata da aprovação da Política Nacional de Defesa (PND), da Estratégia Nacional de Defesa (END) e do Livro Branco da Defesa Nacional (LBDN). Ontem à noite, o plenário do Senado Federal aprovou o projeto. A proposta havia sido encaminhada ao Congresso Nacional, no ano passado, pela Presidência da República.

De acordo com a mensagem do governo, a Política é “o documento condicionante de mais alto nível do planejamento de defesa e tem por finalidade estabelecer objetivos e diretrizes para o preparo e o emprego da capacitação nacional, com o envolvimento dos setores militar e civil, em todas as esferas do Poder Nacional”.

Já a Estratégia, ainda segundo a mensagem, estabelece como fazer o que se determinou na Política Nacional de Defesa. E o Livro Branco, por sua vez, consiste num documento de caráter público, por meio do qual “se permitirá o acesso à informação sobre o setor de defesa do país”. O governo assinala que o documento criará “novas oportunidades para o debate sobre Defesa Nacional”.

O projeto foi aprovado no final do ano passado pela Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI). Na Câmara, o projeto segue o trâmite normal.

A difícil realidade de construir o próprio caça

O exemplo da Turquia

Autoridades turcas estão mantendo conversas com a Saab e com a KAI (Korean Aerospace Industries) para encontrar a melhor forma de tocar um ambicioso projeto: a construção de um caça local que se arrasta desde 2010. Em agosto de 2011 foi assinado um acordo com a Turkish Aerospace Industries (TAI) para o desenvolvimento de um projeto conceitual de um caça e um jato de treinamento.

Recentemente uma delegação turca visitou as instalações da Saab na Suécia e um acordo preliminar de assistência técnica envolvendo a TAI foi assinado. Conforme acordado, a TAI espera adquirir ferramentas de projeto de caça da Saab.

“O que é fundamental neste caso é a eventual capacidade dos turcos de integrar com sucesso aviônicos, eletrônicos e sistemas de armas na plataforma escolhida”, informou um especialista baseado em Londres.

Para o seu programa de caça, conhecido como TF-X, a Turquia espera primeiramente produzir em associação com o anglo-italina AgustaWestland o helicóptero de ataque T-129. “Acreditamos que este passo deva ser um modelo para o nosso programa de caças”, disse uma autoridade da área de aviação. Mas fontes da área de defesa informaram que o programa está exposto ao risco de um projeto conceitual muito prolongado fazendo com que todo o projeto “não seja muito significativo.”

“A Turquia espera colocar o seu caça de projeto nacional no ar pela primeira vez em 2023. Esta não é uma data realista”, informou uma fonte, que completou: “Se os trabalhos de projeto conceitual demorarem algo como sete ou oito anos a partir de agora, a tecnologia a ser empregada na aeronave será muito antiga quando o projeto atingir a fase de produção. Será necessário uma máquina do tempo para empregar a aeronave de forma eficiente”.

Grandes fabricantes de armas também estão cautelosos e céticos. “Queremos ajudar os turcos com o projeto de um caça local, mas tivemos de recuar quando entendemos que os requisitos técnicos para a aeronave estavam longe da realidade”, disse um executivo de uma empresa aeroespacial ocidental.

Um outro executivo ocidental comentou: “Trabalhamos com os turcos por décadas eestamos temerosos de que eles acabem com um arsenal composto por sistemas de segunda linha construídos em casa por valores proibitivos”.

A Turquia, cuja frota atual de caças é de origem norte-americana, também planeja comprar o F-35 Joint Strike Fighter. Mas a Turquia também quer desenvolver um caça com outro país que não seja os EUA com o propósito de reduzir a dependência de Washington.

FONTE: Dailynews (tradução e edição do Poder Aéreo )

Breve robôs terão autonomia para decidir sobre a vida ou a morte do inimigo



Se vocês acham preocupante a utilização de drones armados, imaginem então se a decisão de matar um inimigo suspeito não for tomada por um operador em uma longínqua sala de controle, mas pela própria máquina. Imaginem um avião-robô que estuda a paisagem em terra, reconhece uma atividade hostil, calcula que existe um risco mínimo de danos, e, então, sem a participação de um ser humano, aciona o gatilho. 



Bem-vindos à guerra do futuro. Enquanto os americanos debatem sobre o poder do presidente de ordenar o assassinato por drones, uma poderosa dinâmica - científica, militar e comercial - nos impele para o dia em que cederemos essa mesma autoridade destrutiva ao software. 



Drone AMEE (Autonomous Mapping Evaluation and Evasion) do Filme from Red Planet Movie - Planeta Vermelho.


No próximo mês, várias organizações de defesa dos direitos humanos e para o controle de armamentos se reunirão em Londres para lançar uma campanha de proibição dos robôs assassinos antes que eles saiam das pranchetas dos engenheiros. Entre os que propõem a proibição estão os que conseguiram conquistar um amplo consenso no mundo civilizado contra o uso indiscriminado das minas terrestres que aleijam as pessoas. Desta vez, eles abordarão um problema mais ardiloso, o do controle de armamentos. 



Os argumentos contrários ao aperfeiçoamento de armas totalmente autônomas, como elas são chamadas, são tanto morais ("elas são nefastas")e técnicos ("jamais serão tão inteligentes") quanto viscerais ("assustadoras"). 



"É uma coisa que as pessoas consideram instintivamente errada", afirma Stephen Goose, diretor da divisão de armas da organização Human Rights Watch, que assumiu a liderança do desafio à desumanização da guerra. "O repúdio é realmente violento." 

Drone de reconhecimento do Império em Star Wars

Alguns especialistas em robótica duvidam que, algum dia, um computador consiga distinguir, sem possibilidade de erro, um inimigo de uma pessoa inocente, e muito menos se uma carga de explosivos será a resposta acertada ou proporcional. E se o alvo potencial já estiver ferido, ou tentando se render? Além disso, mesmo que a inteligência artificial atinja ou ultrapasse um grau de competência humana, ressaltam os críticos, jamais será capaz de provocar simpatia. 



Noel Sharkey, um cientista da computação da Universidade Sheffield e presidente do Comitê Internacional para o Controle de Armas Robóticas, conta que uma patrulha americana no Iraque se aproximou de um grupo de rebeldes; ao apontarem seus fuzis, os soldados se deram conta de que se tratava de um funeral e os homens carregavam um caixão. 



Matar pessoas que acabavam de ser atingidas pela tragédia provocaria o ódio dos locais contra os Estados Unidos, e os soldados baixaram suas armas. Será que um robô seria capaz de fazer esse tipo de julgamento? E há a questão da responsabilidade. Se um robô bombardeia uma escola, quem é o culpado: o soldado que mandou a máquina para o campo? Seu comandante? O fabricante? O inventor? Nas instâncias superiores das forças armadas existem dúvidas quanto ao uso de armas dotadas de autonomia. Em novembro do ano passado, o Departamento da Defesa emitiu uma espécie de moratória de dez anos referente ao desenvolvimento desse tipo de armamento enquanto discute as implicações éticas e as possíveis salvaguardas.


Trata-se de uma orientação informal, que provavelmente seria posta de lado em um minuto se soubéssemos que a China vendeu armas autônomas ao Irã, mas de certo modo é bastante tranquilizador que os militares não estejam optando por esse recurso sem antes refletir profundamente sobre a questão. 



Comparada às heroicas iniciativas para banir as minas terrestres e conter a proliferação nuclear, a campanha contra os robôs armados munidos de licença para matar enfrentam obstáculos totalmente novos. 






Drone aéreo Hunter-Killer do Filme Terminator - O exterminador do futuro - Aeronave VTOL desenvolvida no filme pela Skynet.

Por exemplo, não está absolutamente claro onde se deverá traçar uma linha divisória.Embora o cenário de soldados do tipo ciborgue do Exterminador do Futuro esteja ainda a décadas de distância, se é que tudo isso não passa de uma fantasia, os exércitos do mundo inteiro já estão prevendo a adoção de máquinas com uma capacidade de destruição cujo poderio em combate vem gradativamente aumentando. 




As forças armadas já deixam que as máquinas tomem decisões cruciais quando a situação evolui rápido demais para debater a intervenção humana. Os EUA dispõem há muito tempo de navios de guerra da classe Aegis que utilizam defesas antimísseis automatizadas capazes de identificar, perseguir e derrubar em segundos ameaças próximas. E o papel dos robôs está se expandindo até o ponto em que a decisão humana final de matar será em grande parte predeterminada pela inteligência produzida pela máquina. 



"O problema, por acaso, é o dedo que aperta o gatilho?", pergunta Peter W. Singer, especialista em guerra do futuro da Brookings Institution. "Ou será aquela parte que me diz que 'esse cara é mau'?" Israel é o primeiro país a construir e a utilizar (e vender, para China, Índia, Coreia do Sul e outros) uma arma que pode realizar um ataque preventivo sem depender de um ser humano. O drone que paira no ar chamado Harpia é programado para reconhecer e lançar uma bomba contra qualquer sinal de radar que não conste em seu banco de dados como "amigo". 


Até o momento, não foram relatados erros, mas suponhamos que um adversário instale seu radar antiaéreo no teto de um hospital? Sharkey destaca que a Harpia é uma arma que já cruzou um limiar preocupante e não é possível fazê-la recuar. Há outros sistemas semelhantes, como o X-47B da Marinha dos EUA, um avião de combate não tripulado, semi-independente, que se encontra em fase de teste. Por enquanto, não está armado, mas foi construído com dois compartimentos para bombas. Nós já estamos no futuro. 

Para os comandantes militares, o apelo das armas autônomas é quase irresistível, e não se parece com nenhum outro avanço tecnológico anterior. Os robôs são mais baratos que os sistemas pilotados, ou mesmo que os drones - que exigem dezenas de técnicos fornecendo apoio ao piloto remoto. Esses sistemas não colocam em risco a vida das tropas nem as expõem a ferimentos ou a traumas mentais. Os soldados não ficam cansados nem apavorados. Uma arma que não depende de comandos de uma base pode continuar combatendo depois que o inimigo provoca interferência nas comunicações, o que é cada vez mais provável na era dos pulsos eletromagnéticos e dos ataques cibernéticos.

E nenhum estrategista militar quer ceder uma vantagem a um adversário em potencial. Atualmente, mais de 70 países dispõem de drones, e alguns trabalham intensamente nos aspectos tecnológicos para soltar esses aviões de suas amarras virtuais. 



"Mesmo que haja uma proibição, como poderá ser posta em prática?", pergunta Ronald Arkin, cientista da computação e diretor do Laboratório de Robôs da Georgia Tech. "Isso não passa de software." Os exércitos - e os mercadores de guerra - não são os únicos que investem nessa tecnologia. A robótica é uma fronteira científica hiperativa que vai desde os laboratórios mais sofisticados de inteligência artificial até os programas de ciências no ensino médio. 

No mundo todo, as competições organizadas de robótica atraem 250 mil jovens estudantes. (Minha filha de 10 anos é uma competidora.) E a ciência da construção de robôs matadores não está tão facilmente separada da ciência que produz carros que não precisam de motorista ou computadores que se distinguem no programa de TV de perguntas e respostas Jeopardy. 

HAL 9000 - Inteligência Artificial de 2001

Arkin afirma que a automação também pode tornar a guerra mais humana. Os robôs talvez não sintam compaixão, mas também não têm as emoções que levam a erros terríveis, atrocidades e genocídios: desejo de vingança, pânico, animosidade tribal. 

"Meus amigos que serviram no Vietnã disseram que, quando se encontravam em uma zona de fogo livre, atiravam em tudo o que se movia", ele afirmou. "Acho que podemos projetar sistemas autônomos, inteligentes, letais, capazes de fazer melhor do que isso." Arkin afirma que as armas autônomas precisam de limites, mas não mediante o corte abrupto da pesquisa. Ele defende uma moratória do uso desses recursos e uma discussão ampla sobre as maneiras de ter seres humanos como responsáveis. 

Drone ED-209 do Filme ROBOCOP


Singer, da Brookings Institution, também se mostra cauteloso a respeito da proibição de armas: "Apoio a finalidade, chamar a atenção para o caminho perigoso que estamos percorrendo. Mas nós temos uma história que não me deixa absolutamente otimista". 

Assim como Singer, não tenho grandes esperanças quanto à viabilidade da proibição de robôs que provocam a morte de pessoas, mas gostaria que me provassem que estou errado. Se a guerra é feita para parecer impessoal e segura, quase tão moralmente significativa quanto um videogame, temo que as armas autônomas acabem empobrecendo nossa humanidade. Tão perturbadora quanto a ideia de os robôs se tornarem mais parecidos com os seres humanos é a perspectiva de que, ao longo do processo, nos tornemos mais parecidos com os robôs.


Fonte: O Estado de S.Paulo - Por BILL KELLER - THE NEW YORK TIMES - TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA - Titulo original: A ameaça do drone inteligente

quinta-feira, 21 de março de 2013

Aço blindado nacional para o Guarani


A Iveco, montadora de caminhões e ônibus do grupo Fiat, está estudando a fabricação de protótipos do veículo militar Guarani com o aço blindado produzido e já testado em laboratório pela Usiminas em Ipatinga, no Vale do Aço. A chapa especial, a primeira verde-e-amarelo, atende não só a substituição vantajosa das importações, como também poderá proporcionar a independência do país em relação a insumo importante no setor de defesa e criar concorrência no segmento da blindagem civil. O aço balístico usado na versão do Guarani que está sendo produzida desde o fim do ano passado na fábrica da montadora italiana em Sete Lagoas, na Região Central de Minas Gerais, é fornecido pelo grupo alemão ThyssenKrupp. A produção segue contrato firmado em 2009 pelo Exército brasileiro com a Iveco, prevendo a entrega de 86 unidades até 2014 e uma frota de 2 mil blindados até 2029.

Não há prazo definido, ainda, para a construção dos protótipos da versão Base do Guarani, em produção, com o aço blindado da Usiminas, segundo o gerente de operações da Divisão de Veículos de Defesa da Iveco, Giovanni D’Ambrosio. A nacionalização do produto, no entanto, interessa à companhia como parte do compromisso com as exigências de conteúdo nacional do projeto de veículos blindados e do ponto de vista dos ganhos na logística do fornecimento. Da encomenda à entrega das chapas importadas, a montadora tem de administrar um prazo mínimo de oito meses.

O custo do produto é, na prática, equivalente ao estimado do concorrente de fabricação nacional, de acordo com Giovanni D’Ambrosio, mas a empresa terá a possibilidade de economizar nas despesas de frete do transporte, hoje feito por navio da Europa ao Brasil, e de reduzir os riscos de enfrentar problemas no desembaraço da mercadoria nos portos. “Estamos trabalhando com a Usiminas, como parceiros, mas não se trata de um projeto de curto prazo”, afirmou o executivo. Depois de passar no teste das características mecânicas, de soldagem e usinagem, o desempenho do aço balístico brasileiro tem de ser avaliado e aprovado na carcaça dos veículos blindados.

Por meio de nota encaminhada ao Estado de Minas, o Exército informou não ter previsão para os testes das chapas de aço da Usiminas. O vice-presidente de Tecnologia e Qualidade da siderúrgica, Rômel Erwin de Souza, classifica como “excelentes” os resultados do primeiro lote de aços balísticos já fabricados em escala industrial. A empresa planeja o segundo lote para a realização de ajustes finais.

Exportações

O Exército brasileiro receberá em junho o segundo lote da versão Base da família Guarani, com 16 veículos. O gerente de operações da Divisão de Veículos de Defesa da Iveco informou que a montadora iniciou contatos na América Latina e na África para avaliar as perspectivas de exportação. Segundo D’Ambrosio, os carros e o projeto serão apresentados na feira internacional Laad Defence & Security, a maior do setor de defesa militar na América Latina, marcada para 9 a 12 de abril no Rio de Janeiro. O Exército confirmou o interesse nas vendas ao exterior.



Sonda Voyager sai do Sistema Solar




A sonda espacial Voyager-1 tornou-se o primeiro objeto feito pelo homem a deixar o Sistema Solar, de acordo com a Nasa (Agência Especial Americana).

Lançada em 1977, a sonda foi criada inicialmente para estudar os planetas mais afastados da Terra, mas continuou viajando.


A Nasa diz que a Voyager acaba de entrar em uma área do espaço além da influência do Sol. Calcula-se que a região interestelar esteja a mais de 18 bilhões de quilômetros da Terra, ou 123 vezes a distância entre nosso planeta e o Sol.

Atualmente, as mensagens de rádio da Voyager-1 levam 16 horas para chegar ao nosso planeta.

A Voyager-1 caminha para se aproximar de uma estrela chamada AC +793888, mas só chegará a dois anos luz de distância do astro - e levará cerca de 40 mil anos para fazê-lo.

Na terça-feira (19), a União Geofísica Americana confirmou que a sonda deixou a heliosfera, a bolha de gás e campos magnéticos que têm origem no Sol. 

A organização aceitou um artigo sobre o assunto escrito por cientistas da Nasa, que será divulgado em breve na publicação Geophysical Research Letters. O anúncio de que a sonda deixaria o Sistema Solar já era esperado há algum tempo.


Detecção de raios cósmicos

A Voyager-1 vinha monitorando mudanças no ambiente ao seu redor que sugeriam a proximidade da fronteira do Sistema Solar - a chamada heliopausa.

A sonda havia detectado um aumento no número de partículas de raios cósmicos vindo do espaço interestelar em sua direção e, ao mesmo tempo, um declínio da intensidade de partículas energéticas vindo do Sol.

Uma grande mudança, que os cientistas chamaram de "heliopenhasco", aconteceu em 25 de agosto de 2012.

"Em poucos dias, a intensidade heliosférica da radiação caiu e a intensidade de raios cósmicos subiu, como era de se esperar quando se sai da heliosfera", explicou o professor Bill Webber da Universidade Estadual do Novo México, em Las Cruces.

A Voyager-1 foi lançada em 5 de setembro de 1977 e sua "sonda irmã", a Voyager-2, em agosto do mesmo ano. O objetivo inicial das duas sondas era investigar os planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno - tarefa que completaram em 1989.

Em seguida, elas foram enviadas para mais além no espaço, na direção do centro da Via Láctea. No entanto, suas fontes de energia, feitas de plutônio, devem parar de produzir eletricidade em cerca de 10 a 15 anos, quando seus instrumentos e transmissores irão parar de funcionar.

As Voyagers se tornaram "embaixadores silenciosos" da Terra enquanto se movem pela galáxia.

As duas transportam discos de cobre banhados a ouro com gravações de saudações em 60 línguas, amostras de música de diferentes culturas e épocas, sons naturais da Terra e outros sons produzidos pelo homem.

US Navy: cortes orçamentários atrasam reparos e diminuem a frota



Por Sydney J. Freedberg Jr.

A Marinha dos Estados Unidos já começou a restringir os gastos para se adequar ao orçamento pós-sequestro, mas os efeitos a longo prazo do corte que vigora desde 1 de março repercutirão na Força ao longo dos próximos anos. Enquanto o Exército “levou a pior”, segundo as estimativas do próprio Pentágono, os impactos mais delicados são na Marinha, que viu prejudicado seu minucioso cronograma de manutenção de navios. A frota já foi obrigada a reduzir pela metade a presença de navios-aeródromos no Golfo, mas o atraso e cancelamento des reparos significarão menos embarcações em serviço nos próximos anos.

Navios de guerra requerem manutenção cuidadosa para que estejam sempre de prontidão, especialmente os porta-aviões nucleares. Além dos reparos comuns a todos os tipos de embarcação, os navios-aeródromos da classe Nimitiz demandam rebastecimento e uma reforma geral dos reatores nucleares ao longo dos seus 50 anos de vida útil. Essa operação chamada de Refueling and Complex Overhaul (RCOH) só é feita por um estaleiro em todo o território americano – o Newport News, da Huntignton Ignalls, no estado da Virginia. Sendo assim, o os reparos de um navio devem começar assim que se encerram os do anterior. Porém, no mês passado a Marinha atrasou indefinidamente a manutenção do USS Abraham Lincoln por falta de verbas – o que, por sua vez, atrasará a manutenção do USS George Washington, e dos próximos navios-aeródromos na fila de espera.

A imagem no começo do post (clique para ver em tamanho real) mostra claramente a compelxidade da operação de RCOH, e como a sequência regrada de reforma dos porta-aviões foi comprometida pelos cortes previstos no sequestro.

Há um aspecto de propaganda, é claro. O infográfico foi criado como parte de uma campanha da Aircraft Carrier Industrial Base Coalition (ACIBC), composta por cerca de 400 empresas seriamente interessadas em manter o ritmo de trabalho e o fluxo de caixa. A ACIBC escreveu aos líderes do Congresso em fevereiro passado, pedindo que as verbas para manutenção dos navios-aeródromos não entrassem nos cortes orçamentários, e realizou ontem um “ato público” no bairro presidencial de Washington.

Grupos corporativos como a AICBC são propensos inflarem estimativas, especialmente quanto aos postos de trabalho perdidos nos projetos de que fazem parte, mas não é o caso. Trata-se de uma coalisão de lobistas, é verdade, mas nesse gráfico eles se atêm aos fatos – e os fatos já são perturbadores o bastante.

: AOL Defence (tradução  Poder Naval )

Coreia do Norte diz que voo de B-52 é provocação imperdoável

O país ameaçou retaliar com uma ação militar o voo de treinamento do bombardeiro americano.


Um B-52 americano durante demonstração em Cingapura em fevereiro de 2012


A Coreia do Norte qualificou nesta quarta-feira de "provocação imperdoável" o voo de treinamento de um bombardeiro B-52 americano sob o espaço aéreo sul-coreano, como parte de suas manobras conjuntas, e ameaçou retaliar com uma ação militar.


"É uma provocação imperdoável", declarou um porta-voz do ministério norte-coreano das Relações Exteriores em declarações à agência oficial KCNA.


"Os Estados Unidos introduzem meios de ataque estratégico nuclear na península coreana quando a situação está a ponto de descambar para a guerra" e Pyongyang promete uma "resposta militar vigorosa caso tal bombardeiro realize uma nova saída".


O Pentágono revelou na segunda-feira que no dia 8 de março um bombardeiro estratégico B-52 sobrevoou a Coreia do Sul durante as manobras anuais "Foal Eagle" entre os dois países.


A agência sul-coreana Yonhap informou nesta quarta-feira que o B-52 também voou na terça.


Fonte: AFP via Exame.com - Foto: Roslan Rahman/AFP - Via: Aviation News

Em Israel, Obama faz alerta à Síria sobre armas químicas

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse na quarta-feira que a Síria será responsabilizada por eventuais usos de armas químicas na sua guerra civil, e garantiu a proteção norte-americana a Israel contra o Irã.
Em sua primeira visita como presidente a Israel, Obama disse que solicitou uma investigação sobre as suspeitas de uso de armas químicas na Síria.

Ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com quem tem relações conturbadas, Obama manifestou ceticismo de que rebeldes sírios tenham usado armas químicas, e disse que haverá retaliações ao presidente Bashar al Assad caso o uso tenha partido das suas forças.

"Temos sido claros de que o uso de armas químicas contra o povo sírio seria um erro sério e trágico", disse Obama em entrevista coletiva em Jerusalém. "O regime de Assad deve entender que será responsabilizado pelo uso de armas químicas ou sua transferência a terroristas."

Obama também manifestou o desejo de que seja retomado o processo de paz entre palestinos e israelenses, mas não apresentou nenhuma nova proposta para isso, nem fez menção à ampliação dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, principal fator para a interrupção das negociações em 2010.

O presidente norte-americano disse que pretende escutar cada lado antes de determinar como avançar. Na quinta-feira, ele será recebido na Cisjordânia pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Obama passará três dias em Israel, e seu principal objetivo é relançar as relações com um precioso aliado, que se ofendeu durante o primeiro mandato de Obama por causa da sua pressão sobre Netanyahu para que abandonasse as obras em assentamentos, e pelo fato de não ter feito uma visita a Israel.

Mostrando-se notavelmente mais caloroso com Obama, Netanyahu disse estar "absolutamente convencido de que o presidente está determinado a evitar que o Irã obtenha armas nucleares".

No entanto, o líder direitista disse ter certeza de que Obama entende que Israel "não pode nunca ceder o direito de nos defendermos a terceiros, mesmo para o maior dos nossos amigos" - um sinal de que Israel não descarta uma ação militar unilateral contra o programa nuclear iraniano.

"Hoje, temos ambos o direito e a capacidade de nos defendermos", disse Netanyahu.

Obama - cujo governo no passado tentou discretamente dissuadir Israel de agir unilateralmente - disse que Netanyahu está "absolutamente certo" ao citar o direito à autodefesa. Afirmou ainda que os dois países têm avaliações semelhantes sobre o desenvolvimento nuclear do Irã, mas observou que "há tempo para resolver isso diplomaticamente".

"A questão é se a liderança iraniana irá aproveitar essa oportunidade", acrescentou.


Fonte: Reuters

Frota chinesa realiza exercícios de treinamento no Mar do Sul da China e no oeste do Oceano Pacífico

Uma frota chinesa composta por quatro navios de guerra realizará exercícios de treinamento no Mar do Sul da China e no oeste do Oceano Pacífico depois de partir de Sanya na Província de Hainan, no sul da China, na terça-feira. 
Quatro navios de guerra da frota do Exército de Libertação Popular (ELP), o Jinggangshan, Lanzhou, Yulin e Hengshui, quatro helicópteros carregados pelos navios e um aerobarco participarão dos exercícios, revelou Jiang Weilie, comandante da frota do Mar do Sul da China. 
A frota realizará os exercícios como estabelecimento do comando, manobra operacional no mar e missões de escolta em alto mar. 









"Os exercícios de treinamento serão conduzidos de acordo com os requisitos de combate real, com o fim de melhorar as capacidades de defesa das forças navais com base no sistema de informação e aumentar sua habilidade para salvaguardar a soberania marítima", indicou Jiang. 
O exercício é uma ação regular segundo o plano de treinamento anual das forças navais. As forças navais do ELP realizaram sete exercícios de treinamento similares em 2012. 
O Jinggangshan é o navio de transporte anfíbio mais avançado e com a maior tonelagem da China. O Lanzhou e Hengshui concluíram várias missões de escolta no Golfo de Áden e águas somalis, e o Hengshui um novo tipo de fragata colocada recentemente em serviço. 

 Agência Xinhua - Via: CRI - Fotos: China defense Blog

quarta-feira, 20 de março de 2013

Gastos militares da Rússia não representam ameaça à paz mundial





O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres (IISS, na sigla em inglês) publicou na semana passada o anuário “The Military Balance-2013” em que confronta os gastos militares de diferentes países, entre outros fatores. De acordo com o documento, nos últimos anos a Rússia aumentou seus gastos militares, enquanto os EUA e os países europeus tiveram de cortá-los devido à crise econômica mundial.

“Em consequência do clima econômico ruim, as despesas globais com defesa apresentaram um declínio pelo segundo ano consecutivo. Paralelamente, observamos o aumento dos orçamentos militares no Oriente Médio, Norte da África, Rússia, Ásia e na América Latina”, disse o diretor-geral do IISS, John Chipman, durante o discurso de apresentação dos resultados. “Como previmos, em 2012, os gastos militares da Ásia ultrapassaram, pela primeira vez, o valor das despesas com defesa assumidas pelos países europeus membros da Otan”.

O anuário dedica 45 de suas 600 páginas à Rússia, às ex-repúblicas soviéticas e à reforma das Forças Armadas russas. Os autores do documento acreditam que, depois da demissão de Anatóli Serdiukov, em novembro do ano passado, e da nomeação de Serguêi Choigu como novo titular da pasta da Defesa, a reforma militar na Rússia continuará seguindo o mesmo rumo.

Apesar de o relatório apontar que “os gastos militares da Rússia estão crescendo, enquanto nos EUA e na Europa eles estão diminuindo”, essa afirmação pode impressionar apenas aqueles que não sabem que os gastos militares russos são muito inferiores aos dos EUA, Reino Unido ou da França.

De acordo com as estatísticas oficiais, o orçamento de defesa dos EUA para 2013 aprovado pelo Senado e Congresso norte-americanos equivale a US$ 550 bilhões, isto é, US$ 100 bilhões inferior em relação aos orçamentos de 2012 e 2011. O país segue atrás da China que, com US$ 120 a 150 bilhões, ocupa a segunda posição. Na sequência estão Reino Unido e França, com US$ 90 bilhões e US$ 70 bilhões, respectivamente. Por fim, a Rússia, com US$ 55 a 60, ocupa a 5ª posição.

Fato é que os EUA, assim como muitos países ocidentais, enfrentam graves dificuldades econômicas. Quando os orçamentos do Estado são reduzidos, os gastos militares também acabam sendo cortados. O Pentágono, por exemplo, deu um fim à guerra no Iraque, diminuindo assim consideravelmente os gastos militares dos EUA, está retirando as tropas norte-americanas do Afeganistão e desistiu de operações ativas, pelos menos terrestres, contra o regime de Kadafi. Além disso, reduziu a carteira de encomendas do avião de quinta geração F-22 de 700 para 200 unidades e de sua versão mais leve F-35. Os aliados dos EUA na Europa Ocidental seguem a mesma tendência.

Atualmente, o F-22 não tem pares no mundo, a não ser o avião russo T-50 (mais conhecido por PAK FAT-50, na sigla em russo), que será construído em 2015. Como os EUA e a Otan não têm intenção de lutar contra a Rússia, seus arsenais militares existentes são suficientes para travar guerras semelhantes às desencadeadas nos últimos anos no Iraque, Afeganistão e Iêmen, por exemplo.

Paralelamente, os gigantes da indústria armamentista como a Boeing, Lockheed, Dassault, Grumman, BAE Systems ou AEDS não querem perder encomendas bilionárias de equipamento militar sofisticado. Portanto, mesmo ao reduzir as verbas para a defesa, inclusive aquelas para o escudo antimíssil na Europa, os EUA e seus aliados ocidentais dificilmente se contentarão com o montante de US$ 60 bilhões dos gastos militares russos.

A Rússia, por sua vez, segue na contramão. Nos 20 anos posteriores à extinção da URSS, o Estado não liberou verbas significativas para o rearmamento das Forças Armadas do país. Como resultado, a fatia de equipamento militar moderno nas tropas diminuiu para 10%. A guerra de agosto de 2008, quando as tropas georgianas atacaram a força de paz russa na Ossétia do Sul, mostrou claramente as tristes consequências dessa política. Os soldados russos só venceram graças à sua coragem e bravura militar, e não porque usaram material de guerra moderno.

Diante dos fatos, o governo decidiu disponibilizar US$ 700 bilhões em 2011 para um programa de rearmamento que vai durar 10 anos. No total, o governo russo liberou para a defesa 1,3 trilhões de rublos (cerca de US$ 42 bilhões) em 2011 e, no ano seguinte, 1,4 trilhões (cerca de US$ 45 bilhões). Em 2013, é estimada a aplicação de mais 1,5 trilhões de rublos (cerca de US$ 48 bilhões), de modo que, até 2020, 70% dos arsenais militares russos sejam atualizados. Assim, fica evidente que os gastos militares russos não são secretos nem representam nenhuma ameaça para a paz no mundo.


NOTA DO EDITOR: interessante este artigo, o orçamento de "defesa" dos EUA para 2013 é de US$ 550 bilhões, superior aos orçamentos de china, Reino Unido, França e Russia juntos e os ingleses estão preocupados com a Russia? os EUA desestabilizam todos os paises no norte da África, utilizam a ONU para impor mais sansões visando desestabilizar o Governo Norte Coreano, ameaçando-lhes até de invasão militar, e o perigo para a paz mundial é a Russia? Acho que ficou claro que é o real inimigo da paz entre as nações no globo.

ONU suaviza embargo de armas à Líbia e amplia missão




O Conselho de Segurança da ONU ampliou nesta quinta-feira por um ano o mandato da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (UNSMIL) e decidiu suavizar alguns aspectos do embargo de armas imposto a esse país em 2011.


Em uma resolução adotada por unanimidade, os 15 membros do principal órgão de decisão da ONU decidiram facilitar ao governo líbio a compra de equipamento militar "não mortífero" destinado exclusivamente a atender necessidades humanitárias ou de proteção.

O Conselho, que pediu que as autoridades líbias sigam melhorando a vigilância do armamento ou material conexo, decidiu também prorrogar por outro período inicial de 12 meses o mandato da missão na Líbia.

Após expressar sua preocupação pela proliferação ilícita de armas, pediu que a UNSMIL trabalhe para combatê-la, especialmente as armas pesadas, leves e pequenas, assim como mísseis portáteis, além de eliminar os restos explosivos de guerra.

Além disso, a UNSMIL deve tramitar o processo de transição democrática nesse país, inclusive mediante a prestação de assistência técnica ao processo eleitoral líbio e apoio na preparação, redação e aprovação de uma nova Constituição.

"A ONU tem um papel vital em apoiar à Líbia na reconstrução de suas instituições após quatro décadas de desgoverno", afirmou o embaixador britânico, Mark Lyall Grant, após a aprovação da resolução.

Os 15 membros do Conselho de Segurança aprovaram, além disso, que a missão da ONU na Líbia promova o estado de direito e que vigie e proteja os direitos humanos nesse país, em conformidade com suas obrigações jurídicas internacionais.

Outro dos pilares da missão, segundo a resolução aprovada hoje, deve ser o restabelecimento da segurança pública, mediante o prestação de assistência técnica e estratégica às autoridades para estabelecer uma coordenação efetiva da segurança.

O Conselho de Segurança estabeleceu a UNSMIL em 2011 com o mandato de, entre outros objetivos, "entabular um diálogo político sem exclusões, propiciar a reconciliação nacional e empreender o processo constituinte e eleitoral", após a queda do regime de Muammar Kadafi.


Fonte: Exame

Marinha Real é ‘pequena demais’ para proteger Reino Unido

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Em análise feita pelo pesquisador da King’s College de Londres, Alexander Clarke, sobre a situação atual da Marinha Real britânica, o cientista aponta que “os cortes ao longos dos últimos 20 anos prejuducaram seriamente a capacidade de desdobramento da frota, mesmo aqueles que o Governo ainda se compromete a realizar”. Clarke explica que as 19 fragatas e contratorpedeiros atualmente em serviço na Marinha Real não são o suficiente para enviar contingentes às Malvinas, ao Golfo e manter a rotina de escoltas do Reaction Group.

De acordo com o pesquisador, para cada navio de guerra enviado a outra localidade, são necessários pelo menos mais dois, pois um estará retornando do desdobramento, e outro estará em reparos ou treinamento. Como resultado da escassez de navios, o Reino Unido corre o risco de precisar de auxílio da França e dos Estados Unidos para suprir suas demandas de defesa aeronaval, por exemplo na forma de escoltas aéreas.

A análise foi feita por Clarke a pedido do general Julian Thompson, ex-comandante da 3a Brigada de Commandos das Malvinas. O pesquisador da King’s College afirma: “Estamos em falta de submarinos, e também defesa aérea até que tenhamos os novos porta-aviões e os caças F-35”.

O aviso de Clarke é reforçado pelo capitão-de-mar-e-guerra da reserva, John Muxworthy, membro da UK National Defence Association. Muxworthy diz que, durante a Guerra das Malvinas, em 1982, a Marinha Real teve à sua disposição cerca de 60 fragatas e contratorpedeiros. “Agora temos 19 [fragatas e contratorpedeiros]. Você tem que usar a ‘lógica dos três’ em se tratando de navios – um em combate, um em treinamento e um em manutenção”, explica. “Divida 19 por tês e veja quantos navios estão disponíveis para operar. As pessoas darão risada se alegarmos que temos o suficiente. A Marinha Real foi depauperada. Não é mais uma frota, é uma flotilha”, lamenta.

O oficial também alerta: “o Reino Unido está se desarmando enquanto países ao redor do mundo estão se rearmando. O resultado será a perda de vidas, de capacidade operacional. Seremos apenas uma sombra do que éramos antes. Ainda assim, somos uma nação insular. Cerca de 90% de tudo que chega ou parte daqui é através do mar”.

Porém, segundo um porta-voz do Ministério da Defesa britânico, a Marinha Real ainda é forte. Segundo o representante do MoD, “decisões duras foram tomadas durante a Strategic Defence and Security Review de 2010 para que nos adaptássemos à redução do orçamento. No entanto, a Marinha Real continua sendo moderna, poderosa e capaz de enviar forças-tarefa para defender os interesses nacionais ao redor do mundo”. O porta-voz também afirma que “até 2020, a Marinha será equipada com contratorpedeiros tipo 45, o novo navio de combate global tipo 26, sete submarinos da classe Astute, e navios-aeródromos que deverão operar com as aeronaves do programa conjunto de desenvolvimento de caças”.

 express.co.uk via Naval Open Source Intelligence (tradução  Poder Naval a partir de original em inglês)

segunda-feira, 18 de março de 2013

Embraer quer a liderança do mercado de defesa e segurança

Companhia aposta em um crescimento anual de 12% até 2020 de olho em novos projetos na área de aviação militar, monitoramento por radares e vigilância aérea; pedidos já chegam a R$ 3,5 bilhões 

Chico Pereira 

A Embraer Defesa e Segurança, uma unidade de negócios da Embraer, de São José dos Campos, projeta crescimento de dois dígitos ao longo dos próximos anos. A direção da unidade estima crescimento médio anual de 12% até 2020.

Para este ano, a expectativa é que a companhia deve crescer 25% no faturamento em dólares, similar aos 24% de alta alcançada no ano passado quando, pela primeira vez, a unidade faturou US$ 1 bilhão.
O presidente da companhia, Luiz Carlos Aguiar, relatou à imprensa, durante visita às instalações da unidade em Gavião Peixoto, interior de São Paulo, que a participação da empresa na receita geral da Embraer saltou de 6% em 2006 para 17% no ano passado.

A Embraer Defesa e Segurança fechou 2012 com uma carteira firme de negócios no valor de R$ 3,5 bilhões. A meta da empresa é ampliar sua participação nesse segmento, considerado fechado, e abocanhar uma grande fatia dos mercados nacional e internacional de defesa e segurança, estimado em mais de US$ 80 bilhões nos próximos anos.

“O mercado de defesa está reduzindo de tamanho e crescer em um mercado que está reduzindo é uma conquista importante”, disse Luiz Carlos Aguiar. O executivo destacou que, atualmente, a Embraer Defesa e Segurança está presente em 50 forças aéreas, em 48 países.

Avanço.

O portfólio da companhia contempla aeronaves militares, como o Super Tucano e o cargueiro KC-390, em fase de desenvolvimento, projetos e soluções para a área de inteligência, comunicação, tecnologia de ponta na produção de radares e vants (veículos aéreos não tripulados).

“Nosso compromisso é ser líder no fornecimento de soluções de defesa e segurança no mercado nacional e onde o Brasil possui bom relacionamento”, disse.

‘Queremos ser líder no mercado que atuamos’

Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança, afirma que a unidade de negócios da Embraer trabalha com a missão de ser líder nos segmentos que atua e planeja atuar e expandir. 
“Temos a expertise, a determinação e o DNA da Embraer, que é a empresa-mãe. Por isso, procuramos sempre o melhor em tudo o que fazemos”, afirmou o executivo. Ele lembra que a Embraer Defesa e Segurança foi criada formalmente em 2011 e que já subiu 14 posições no ranking mundial das empresas na área de defesa. Passou da 95ª para 81ª posição.

O executivo destaca que o compromisso da companhia é ser líder no fornecimento de soluções de defesa e segurança no mercado brasileiro e naqueles em que o Brasil possui um bom relacionamento geopolítico. No Brasil, disse o executivo, a intenção é fornecer equipamentos, serviços e soluções tecnológicas para as três Forças: Marinha, Aeronáutica e Exército. Para isso, a empresa tem feito parcerias e aquisições de outras companhias do segmento.




O Vale (Chico Pereira), via Notimp

Ameaça neonazista no Rio de Janeiro

Nota do PSTU:

Ameaça neonazista no Rio de Janeiro

Organização neonazista ameaça movimentos sociais e partidos de esquerda com cartazes espalhados pela cidade

PSTU - RJ

• Na semana do 8 de Março, dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora, o bairro da Lapa foi coberto por cartazes de uma organização neonazista denominada“Combat 18 – Divisão RJ”. O 18 é derivado das iniciais de Adolf Hitler. O “A” e o “H” são a primeira e oitava letras do alfabeto latino.

Em uma clara tentativa de intimar e provocar os movimentos sociais, muitos dos cartazes foram afixados nas colunas do prédio onde está situado o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU. Um dos cartazes afirma: “Comunistas e subversivos, o Combat 18 está de olho em vocês.(...) Ninguém será poupado!!!(...) Estejam preparados pois a única alternativa para vocês é a MORTE!!! (...) Lixo vermelho a sua hora chegou”.

Original da Inglaterra, o Combat 18 tem seções em alguns países do mundo, inclusive no Brasil. É o braço armado do National Front, partido inglês de extrema direita nacionalista, fundado na década de 70. Nas eleições de 1979, recebeu mais de 190 mil votos. Em 2010, apresentou 17 candidaturas nas eleições gerais e 18 nas locais, não obtendo uma única representação. Possui ligações com os famosos torcedores hooligans e uma rede de bandas que promovem músicas neonazistas, o Blood&Honour (Sangue e Honra).

O blog da seção do Rio de Janeiro exibe os “Códigos da Raça Ariana”; os “25 pontos do Partido Nacional-Socialista Alemão (1920)”; imagens de espancamentos de moradores negros de rua; cartazes de agitação, além de inúmeras “teorias” raciais e antissemitas.

Campanha antineonazista

Em primeiro lugar, não toleraremos nenhum tipo de provocação, ameaça ou intimidação de nossos militantes, ou de qualquer organização democrática. O Combat 18 têm aproximadamente 5 ou 6 membros na cidade do Rio e não possui absolutamente nenhum lastro social. São um grupo de classe média, provavelmente moradores da região do Centro, Zona Sul e Tijuca, que escondem seus rostos e praticam a covardia contra aqueles que julgam ser inferiores.

Ao mesmo tempo, procuraremos demais partidos operários, partidos democráticos em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONGs, quilombos, organizações LGBTs, lideranças dos movimentos sociais e parlamentares para fazer uma ampla campanha antineonazista. Iremos também prestar queixa na polícia. Por mais que o Combat 18 não tenha nenhuma expressão social, o PSTU entende que devemos nos precaver de qualquer inciativa desse grupo.

Por último, o Combat 18 não conhece as tradições do movimento operário. Somos sobreviventes dos campos de concentração nazistas no período que antecedeu a II Guerra Mundial; vencemos as ditaduras na América Latina nas décadas de 60, 70 e 80; morremos e resistimos aos torturadores do regime militar; e agora estamos impulsionando a Caravana da Anistia da antiga Convergência Socialista em todo o Brasil. Nos reconhecemos em cada militante que luta contra os planos de austeridade na Europa ou contra as ditaduras no Norte da África e Oriente Médio. Somos homens e mulheres de todas as cores e nacionalidades, de todas as orientações sexuais e livres de todos os tipos de preconceitos. Nós somos grandes, e não admitiremos que toquem em um de nossos militantes.

via PCB

Jamaran-2: Irã lança destroier no Mar Cáspio pela primeira vez




O Irã realizou neste domingo o lançamento de um destroier construído domesticamente no mar Cáspio, o primeiro a ser colocado no mar da região rica em petróleo pelo país, informou a rede de TV estatal. A cerimônia de inauguração do destroier Jamaran-2 foi acompanhada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad na cidade portuária de Anzali, cerca de 250 quilômetros ao nordeste de Teerã.


Segundo Ahmadinejad, o lançamento ao mar do destroier tem a intenção de aumentar a paz e a amizade na região. "O destroier está lá para encontrar com aqueles que querem prejudicar a segurança das nações vizinhas", disse, sem dar detalhes.

Existem múltiplas disputas entre as nações banhadas pelo Cáspio - Irã, Rússia, Azerbaijão, Casaquistão e Turcomenistão - sobre como o mar deveria ser dividido. O Jamaran-2 deve se integrar à frota iraniana nos próximos meses. Com 94 metros de comprimento e pesando 1,4 mil toneladas, o Jamaran-2 está equipado com mísseis de superfície e superfície-aéreo e sofisticados terminais de comunicação e radares, além de heliporto.
O Irã lançou versões anteriores do Jamaran em 2010 no Golfo Pérsico. Desde 1992, o Irã busca sua autossuficiência militar, tendo produzido jatos, tanques, mísseis, torpedos e submarinos. O Irã e o Ocidente travam uma disputa há anos relacionada a um programa nuclear que os Estados Unidos e seus aliados desejam que seja interrompido. O Irã tem dito que o programa tem fins pacíficos.



Fonte: Exame

domingo, 17 de março de 2013

Carlos Lopes Pereira: O saque imperialista das riquezas da África

O imperialismo planeja dominar os países do Norte da África e desestabilizar a região e todo o continente de forma a perpetuar a pilhagem das riquezas africanas.

Por Carlos Lopes Pereira, no Avante!

A agressão da Otan à Líbia (produtor de petróleo), a intervenção da França no Mali (ouro e urânio), a construção de uma base militar dos EUA no Níger (urânio) e o “cerco” à Argélia (petróleo e gás) são peças dessa estratégia que visa, face à crise do capitalismo mundial, intensificar a exploração dos trabalhadores e o saque dos recursos naturais africanos.

O jornalista Dan Glazebrook, que escreve em jornais como The Guardian, The Independent ou The Morning Star, publicou um artigo no Al-AhramWeekly do Cairo, denunciando esta conspiração.

Começa ele por recordar que o Ocidente drena todos os anos da África bilhões de dólares em pagamentos do “serviço da dívida”, em lucros de investimentos e em empréstimos ligados a esquemas de corrupção de setores das burguesias nacionais.

Outra via de dominação da África é o saque das suas riquezas minerais. É apontado o caso do Congo, onde, no Leste, bandos armados – controlados pelos vizinhos Uganda, Ruanda e Burundi, por sua vez apoiados por potências ocidentais – patrocinam o roubo de minérios e a sua venda a empresas estrangeiras.

A África financia ainda as classes dominantes ocidentais através dos baixos preços das matérias-primas e dos miseráveis salários pagos aos trabalhadores que as extraem ou cultivam.

Em suma, o capitalismo impõe ao continente africano o papel de fornecedor de matérias-primas e mão de obra baratas. E, para que esta situação se mantenha, procura assegurar que a África continue pobre e dividida, flagelada por golpes e guerras. 

Segundo Glazebrook, a criação em 2002 da União Africana (UA), dinamizada por Muamar Kadafi, preocupou os estrategistas ocidentais.

Para Washington, Londres e Paris era inaceitável o plano da UA de criação do Banco Central Africano e de uma moeda única. Era inaceitável a criação do Fundo Monetário Africano. E, sobretudo, era inaceitável a decisão da UA, em 2004, de elaborar a Carta de Defesa e Segurança Comum Africana. E a decisão, em 2010, de avançar com uma força militar unificada.

Nessa altura, face ao seu declínio econômico e à “ameaça” da China, os EUA já tinham traçado planos para recolonizar a África.

Em 2008 surgiu o Africom, comando militar que o presidente G. W. Bush pretendia instalar em território africano. Mas a UA rejeitou a presença de tropas norte-americanas e o Africom teve de montar o quartel-general na Alemanha. 

Maior humilhação para os EUA foi ver Kadafi eleito presidente da UA em 2009 e a Líbia tornar-se o principal suporte da organização pan-africana.

O Império não tolerou as propostas da UA no sentido de um processo de integração africana. Depois de justificar a agressão à Líbia com “um pacote de mentiras ainda maior do que o que servira de pretexto para a invasão do Iraque” – como escreve Glazebrook –, a Otan destruiu o país, reduziu-o “à condição de mais um Estado africano falido” e “facilitou a tortura e o assassinato de Khadafi”, assim se libertando de um seu opositor.

A guerra contra o coronel destruiu o seu regime e também a paz e a segurança no Norte de África.

O dirigente líbio tinha organizado desde 1998 a Comunidade de Estados Sahel-Saharianos, com o foco na segurança regional, travando a influência das milícias salafistas e apaziguando os líderes tribais tuaregues.

Com a queda de Kadafi, os radicais islâmicos da região obtiveram armas modernas – cortesia da Otan – e as fronteiras meridionais da Líbia entraram em colapso. 

A primeira vítima dessa desestabilização regional foi o Mali. O avanço islamita, resultado da agressão à Líbia, foi pretexto para a intervenção militar da França.

A Argélia ficou igualmente na mira do imperialismo. Está hoje “cercada” por radicais islâmicos a Leste (fronteira com a Líbia) e a Sul (fronteira com o Mali), onde se instalou também a legião francesa. 

O imperialismo tem razões para não “simpatizar” com a Argélia, o único país do Norte de África ainda governado pelo partido que lutou pela independência (FLN): Argel apoia a UA, tem assumido posições internacionais dignas e, como o Irã e a Venezuela, vende por um preço justo o seu petróleo e o seu gás.

Este “nacionalismo dos recursos” leva as gigantes petrolíferas ocidentais a não esconder que “estão fartas da Argélia”, como escreve o Financial Times. O mesmo jornal que, um ano antes da agressão da Otan, também acusou a Líbia do “crime” de proteger os seus recursos naturais…

via Vermelho

Guimarães: Privataria tucana ressuscita e quer entregar o pré-sal

Nos anos 1990, o governo Fernando Henrique Cardoso vendeu por cerca de cem bilhões de dólares um portfólio de patrimônio público que, à época, valia, no mínimo, o triplo. Para que se possa mensurar o tamanho do roubo de patrimônio, a mineradora então chamada Vale do Rio Doce foi vendida a estrangeiros por cerca de um ano de faturamento.

Por Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania

Esse processo de entrega do patrimônio público a grupos econômicos estrangeiros a preço vil ficou conhecido como A Privataria Tucana e virou um livro que relata o rápido enriquecimento do condutor das privatizações, o tucano José Serra.

O resultado da Privataria Tucana foi tão desastroso para o país que a maioria dos brasileiros (62%) acabou rejeitando a privatização de serviços públicos, segundo apontou pesquisa realizada pelo jornal O Estado de São Paulo em parceria com o instituto Ipsos.

Segundo a pesquisa, apenas 25% dos brasileiros aprovam as privatizações da era FHC. A percepção é a de que elas pioraram os serviços prestados à população nos setores de telefonia, estradas, energia elétrica, água e esgoto. As mais altas taxas de rejeição (73%) estão no segmento de nível superior e nas classes A e B.

No início do processo, em dezembro de 1994 (ano em que FHC se elegeu presidente pela primeira vez), pesquisa Ibope sobre privatização mostrou que 57% eram a favor e só 31% eram contrários. Em março de 1995, outra pesquisa Ibope atestou que 43% dos brasileiros eram a favor das privatizações e 34% eram contrários.

A mudança de opinião dos brasileiros sobre as privatizações ocorreu a partir da década passada, lá pelo fim do governo FHC (2002), quando o resultado da venda a qualquer preço do patrimônio público se mostrou um desastre.

Hoje, graças aos contratos que o ex-presidente tucano assinou, temos, por exemplo, a telefonia e a energia elétrica entre as mais caras do mundo.

Desde a eleição presidencial de 2002 (que escolheu o sucessor de FHC), o PSDB já foi derrotado três vezes e tais derrotas tiveram íntima relação com o que ficou conhecido como Privataria Tucana, que até hoje inferniza o país com os maus negócios que os tucanos fizeram ao venderem patrimônio público a qualquer preço e de forma açodada nos anos 1990 sob a alegação de que os recursos oriundos daquelas vendas nos dariam educação, saúde etc. de “Primeiro Mundo”.

Além de isso não ter ocorrido o dinheiro da Privataria Tucana virou pó, pois até hoje ninguém sabe onde foi parar apesar de existir muita suspeita (inclusive documentada) sobre seu destino.

Corte para o presente. Em recente ato político organizado pelo PSDB para criticar a gestão da Petrobras nos governos petistas que sucederam os de seu partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu mudanças no modelo adotado para explorar as reservas de petróleo do pré-sal que foi estabelecido pelo governo Lula e continuado pelo governo Dilma Rousseff.

Aécio quer a volta do modelo de exploração do governo FHC, que afirma ser “muito mais eficiente”.

Em 1997, os tucanos acabaram como o monopólio brasileiro na exploração de campos de petróleo, venderam grande parte da Petrobrás e adotaram o regime de concessão para a exploração, obrigando a empresa brasileira a competir com grupos estrangeiros para ter acesso a novas reservas.

Após o governo Lula investir e recuperar a Petrobrás, que durante o governo FHC perdeu muito valor por conta do modelo de concessão e pela perda do monopólio, em 2006 a empresa anunciou que descobrira uma reserva gigantesca no mar territorial sudeste do Brasil.

Apenas com a descoberta dos três primeiros campos do pré-sal – Tupi, Iara e Parque das Baleias –, as reservas brasileiras comprovadas, que eram de 14 bilhões de barris, aumentaram para 33 bilhões de barris. Além disso, as reservas possíveis e prováveis seriam de 50 a 100 bilhões de barris, o que deve fazer do Brasil um dos maiores produtores de petróleo do mundo, com todas as condições de integrar a Opep, se quiser.

Em 2010, o ex-presidente Lula propôs um novo modelo para ampliar o controle brasileiro sobre o pré-sal. O novo regime foi chamado de “partilha” porque permite que o governo fique com a maior parte dos lucros obtidos com o petróleo e torna obrigatória a participação da Petrobras na exploração de todos os campos.

Devido ao gigantismo da descoberta da “nova” Petrobrás, agora fortalecida por Lula, foi criada a empresa Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), a fim de gerir os contratos de partilha de produção celebrados pelo Ministério de Minas e Energia e a gestão dos contratos para a comercialização de petróleo.

O regime de partilha na exploração dessa riqueza imensa que os investimentos da década passada permitiram que a Petrobrás localizasse sob o leito do mar em águas profundas é impositivo, pois além de o Estado – e, portanto, o povo brasileiro – ficar com quase todo o lucro advindo da exploração, nesse regime é possível dosar a extração da riqueza.

O regime de concessão foi implantado pelo governo FHC porque a Petrobrás não recebia investimentos, estava exposta à concorrência predatória das mega empresas petrolíferas estrangeiras e, assim, não tinha como prospectar novas reservas de petróleo.

Assim, áreas que a empresa brasileira acreditava ser produtivas eram entregues à iniciativa privada sob regime de concessão, ou seja, quem explorava era dono do petróleo encontrado, se fosse encontrado, e ficava com quase todo o lucro, pagando apenas um percentual ao país e levando o resto embora.

Em 2009, agora com as mega reservas de petróleo confirmadas, não havia sentido em entrega-las a empresas estrangeiras e privadas sob regime de concessão porque não havia risco de perfurarem e não encontrarem nada.

Com as reservas do pré-sal confirmadas, seria um crime entrega-las a empresas privadas, a maioria estrangeiras, que só teriam que ir lá, perfurar e extrair o petróleo sem correr risco de gastar dinheiro com a prospecção e não encontrar nada.

A argumentação do PSDB e, mais especificamente, de seu provável candidato a presidente na eleição do ano que vem é a de que “Nenhum leilão para a exploração do pré-sal foi realizado desde a mudança das regras, e nos últimos anos surgiram dúvidas sobre a capacidade da Petrobras de financiar os investimentos exigidos pelo novo regime.”

Vale um parênteses: o primeiro leilão do pré-sal está marcado para novembro deste ano.

Retomando. O tucano ainda afirma que “A partilha estagnou a produção, afugentou investidores e descapitalizou a empresa” e que “O que parecia ser um bom negócio hoje é um ônus para a Petrobras.”

Aécio ainda defendeu o fim da obrigatoriedade da participação da Petrobras nos futuros campos. “Descapitalizada, a Petrobras vai ter de buscar dinheiro no mercado com juros cada vez maiores”, afirmou.

Não existe o menor sentido nessas premissas. Descapitalizada a empresa brasileira estava quando o PSDB governou.

A Petrobrás é uma das empresas mais capitalizadas do planeta. Ano passado, por conta da paralisação de algumas plataformas marítimas de exploração a fim de passarem por manutenção, seu lucro caiu de cerca de 30 bilhões de reais para cerca de 20 bilhões – no último ano do governo FHC, o lucro da empresa foi de 7 bilhões.

A premissa de que a Petrobrás terá que ir buscar recursos no mercado internacional a juros altos é uma falácia. Mesmo que tenha que recorrer ao mercado internacional, as empresas brasileiras têm acesso hoje aos financiamentos internacionais mais baratos do mundo, mais até do que países ricos como a Itália, pois o conceito do Brasil pelas agências de classificação de risco é o de “investment grade”, ou “grau de investimento”.

Além disso, só faria sentido buscar uma rápida exploração do pré-sal se houvesse risco de evaporar o petróleo que o Brasil tem sob seu mar territorial. O regime de partilha determinado pelo governo Lula, aliás, pretende justamente controlar o ritmo da exploração para que não seja muito rápido, ou predatório.

As grandes petrolíferas estrangeiras estão salivando pelo pré-sal brasileiro. Não foi por outra razão que se reuniram com José Serra durante a campanha eleitoral de 2010, quando lhes prometeu que, se fosse eleito, reverteria a política nacionalista do governo Lula.

Em verdade, a eleição de um tucano para entregar o pré-sal faz salivar até o grande empresariado brasileiro, que, como o estrangeiro, também está de olho nos grandes negócios com altíssima rentabilidade que a exploração predatória daquelas reservas propiciaria.

Aliás, os setores da imprensa alinhados com o PSDB já falam até em privatizar a Petrobrás – e não só ela – de uma vez, sem mais delongas. Artigo do comentarista de economia de O Globo Carlos Alberto Sardemberg publicado na semana que finda prega exatamente isso. Abaixo, um trecho do texto:

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“Não é por nada, não, mas se a gente pensar seriamente na história recente da Petrobras, sem paixões e sem provocações, vai acabar caindo na hipótese maldita, a privatização. (…) Não há como garantir uma gestão eficiente das estatais — e sem falar de corrupção. Logo…”

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Ao longo do texto, Sardemberg se desmancha em elogios à política do PSDB que fez a Petrobrás chegar ao último ano do governo FHC com receita de 60 bilhões de reais contra os 280 bilhões de 2012. É um dos analistas econômicos da grande mídia mais identificados com as teorias do PSDB.

A gestão da Petrobrás pelo PSDB foi um desastre. Sem investimentos do Estado e exposta à concorrência predatória das petrolíferas gigantes internacionais, a empresa começou a sofrer com desastres como o naufrágio da plataforma P36, que custou 700 milhões de reais ao país.

A P-36 foi a maior plataforma de produção de petróleo no mundo antes de seu afundamento em março de 2001. A plataforma custou 350 milhões de dólares ao país. Além da perda financeira, 11 pessoas morreram em um desastre causado, exclusivamente, por falta da manutenção que a Petrobrás fez no ano passado em suas plataformas e que reduziu seu lucro.

No total, os desastres em campos de exploração da Petrobrás durante o governo FHC, causados pela forte descapitalização da empresa que os tucanos lhe impuseram, geraram prejuízos ao país da ordem de 1,5 bilhão de reais.

Ano que vem, o Brasil correrá de novo o risco de ver essa praga de gafanhotos chamada PSDB ter chance de retomar o Poder a fim de saquear o país de novo. E depois acusam este blogueiro de ser “muito governista”. Enquanto esses piratas ameaçarem o país com sua eleição todo cidadão consciente tem que ser “muito governista”, a fim de impedir a Privataria Tucana II.

Via Vermelho