quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Em vídeo, marinheiros chilenos cantam ameaças de morte a vizinhos sul-americanos


Em vídeo, marinheiros chilenos cantam ameaças de morte a vizinhos sul-americanos

Os cantos considerados xenófobos são não novidade entre as tropas; atrito entre os países têm raízes históricas

“Argentinos matarei, bolivianos fuzilarei, peruanos degolarei”, cantam fuzilerios navais chilenos enquanto treinam ao longo da costa de Viña del Mar, importante cidade do país e muito visitado por argentinos. Em um vídeo que circulou pelas redes sociais e provocou polêmicas diplomáticas, os cantos – considerados xenófobos - não são novidade entre as tropas navais do país.






Arturo Amaro Pestan esteve na escola naval de Valparaíso, entre 1996 e 1999, no treinamento para oficial da Marinha. Apesar de advogado atualmente, sempre viveu em um ambiente naval e diz que os cantos eram normais para a instrução militar, encarados como brincadeira e de modo a motivar as filas nos treinos às 5h30.

Em entrevista a Opera Mundi, Pestan diz que “claro que não gostaria de ir ao Peru e escutar 25 soldados cantando contra chilenos, mas estão tratando como se a instituição fosse xenófoba. Eu estaria mentindo se dissesse que senti isso”. Ele diz que, naquela época, os marinheiros tinham “integração plena, com exercícios navais conjuntos com diversos fuzileiros da América Latina; passamos muito tempo com bolivianos, argentinos e brasileiros”.



Como exemplo, cita o navio-escola Esmeralda, de treinamento da marinha chilena, para onde vão guardas marinhos argentinos e o navio-escola argentino, a Fragata Libertad, ao qual vão guardas marinhos chilenos.

Para Pestan, é lamentável que a imprensa tenha “explorado as feridas abertas pela Guerra do Pacífico, com notícias como as da disputa pela saída ao mar, que são coisas a se discutir, mas não com notícias anti-peruanas, anti-bolivianas, usando o sentimento nacionalista”.

O advogado contou que, entre os cantos de sua época, se incluem versos como “Caminhando pela sela com minha M16 / a todo inimigo (argentino, peruano, boliviano) que eu veja matarei / seus olhinhos arrancarei / e seu sangue beberei”. Na mesma música, uma estrofe diz “Quero me banhar / em uma piscina / cheia de sangue / sangue inimigo / para não temer a morte”.

Ponta do iceberg

A Guerra do Pacífico, à qual Pestan se refere, é o conflito em que Bolívia e Peru enfrentaram o Chile entre 1879 e 1883 por questões territoriais e fiscais. Ao fim da guerra, o Chile absorveuo que é hoje sua região norte em áreas dos outros países ricas em recursos minerais que serviam para fertilizantes e explosivos.

Essa guerra traz reminiscências até os dias atuais: corre um processo na Corte Internacional de Haia entre Peru e Chile sobre a fronteira marítima. O primeiro afirma que os acordos de pesca bilaterais de 1952 e 1954 não constituem um tratado de fronteira, ao contrário do que o Chile defende, e que a linha de projeção até o Pacífico foi traçada a partir de um paralelo, e não em de uma linha equidistante, como define a Convenção do Mar da ONU de 1982. Em dezembro, Piñera pediu a chilenos e peruanos que evitem "o nacionalismo exacerbado que envenena a alma dos povos".

Além disso, a perda da Bolívia de sua saída soberana ao mar ainda faz parte dos objetivos diplomáticos do presidente Evo Morales. Em entrevista publicada neste sábado (02/02) pelo jornal La Tercera, o presidente chileno Sebastián Piñera sustentou que o governo chileno colocou "em múltiplas ocasiões" ao Executivo boliviano a possibilidade de entregar um enclave territorial com autonomia - mas sem soberania -, ao norte de Arica e na zona fronteiriça com o Peru, com direito a um porto, "garantias tributárias e de outra natureza”. Essa oferta, no entanto, “perderia validade” se o tribunal de Haia der razão ao Peru no litígio pela fronteira marítima.

Em dezembro de 1978, argentinos e chilenos estiveram em iminência de conflito armado por causa da soberania de três ilhas no Canal Beagle, no extremo sul do continente.

Repercussão

O sub-ministro da Defesa, Alfonso Vargas, afirmou nesta quinta-feira (07/02) que o grupo de 27 grumetes da Academia Politécnica Naval já foram identificados. A investigação se iniciou nesta quarta-feira (06/02) e deve durar 20 dias. Em entrevista à CNN, disse que “isso não ajuda a política externa chilena e o rechaçamos enfaticamente”, uma vez que o Chile ”está centrado na cooperação internacional e na irmandade dos países, sendo este um desatino ”.

O comandante das Forças Armadas do país, Edmundo González, postou em conta do Twitter que “as práticas se distanciam do que é ensinado no Exército e de sua doutrina como instituição, e por isso as classifico como inaceitáveis”, acrescentando que “o costume é cantar cantos militares, não improvisações; aí está o pecado do vídeo”. González também escreveu que está investigando o caso e, “se comprovados os fatos, deverá ocorrer máxima punição aos responsáveis”.

“Ante essa agressiva atitude, (...) manifestamos nosso protesto energético, já que essas ações vulnerabilizam os compromissos internacionais básicos orientados a propiciar a paz e integração regional”, publicou o ministério de Defesa da Bolívia hoje. Além disso, os cantos denotam que “Chile é um país que gera controvérsias na região sem justificativa alguma, comportamento que não colabora com a geração de confiança na América do Sul”.

Para o ministro da Defesa da Argentina, “sempre pode haver algum instrutor oficial que tenha algum pensamento que não coincide com a época” pelas quais passam os países e “certamente as autoridades chilenas colocarão em seu lugar imediatamente”. Afirmou também que a Argentina “abandonou as teorias das hipóteses de conflito” com os vizinhos e que o “Chile tampouco planta essas hipóteses”.

* Com informações de El Mostrador, Clarín, Télam, CNN Chile, EFE e Rfi Via Opera Mundi

Sindicatos convocam marcha contra congelamento de preços na Argentina


Sindicatos convocam marcha contra congelamento de preços na Argentina
Opositores acreditam que retenção serve como camuflagem da inflação real e limitação de reajustes salariais

As duas principais centrais sindicais argentinas, ambas de oposição, convocaram dois protestos para os dias 8 e 14 de março, com o objetivo de pedir mais planos de ajuda social e o direito de negociar aumentos salariais “sem teto”.

A decisão da CGT (Confederação Geral do Trabalho) e da CTA (Central de Trabalhadores da Argentina) foi anunciada na mesma semana em que o governo fecha acordos de congelamento de preços, por dois meses, com algumas redes de supermercados, lojas de eletrodomésticos e eletrônicos, postos de gasolina e lojas de conveniência.


Para os sindicalistas, o congelamento se trata de uma medida para camuflar a inflação real e limitar os reajustes salariais. Os sindicatos informaram que pedirão ajustes salariais muito acima da inflação calculada pelo governo, que foi 10,8% em 2012. "Concordamos com a sugestão do governo de negociar o aumento salarial pelo prazo de um ano, mas levando em conta a inflação do carrinho de supermercado e do nosso próprio índice de preços", disse Antonio Caló, da UOM (União Operária Metalúrgica), que estima que a inflação de 2012 foi 25%.

O secretário-geral da CGT, Hugo Moyano, informou nesta terça-feira (05/02) que os sindicatos da agremiação pedirão ajustes de "30% porque a inflação está meio descontrolada". Até recentemente um dos principais aliados do governo, também disse que “com o congelamento de preços, por 60 dias, o governo tem a intenção de colocar um teto aos pedidos de aumento salarial e isso nós vamos rejeitar”.

Nessa quarta-feira (06/02), os supermercados chineses – que são menores, mas cada vez mais numerosos – anunciaram adesão à proposta do secretário do Interior, Guillermo Moreno, de manter os preços fixos até 1° de abril. Existem 10 mil supermercados chineses em toda a Argentina e eles têm até cartão de crédito próprio para competir com as grandes cadeias. O congelamento de preços temporário é voluntário, mas quem não aderir corre o risco de perder fatias do mercado.

A subsecretária de Defesa do Consumidor, Maria Lucila Colombo, recomendou aos consumidores argentinos que guardem os comprovantes de compras e denunciem aumentos abusivos. Segundo ela, o congelamento temporário de preços foi proposto para ajudar a “economia familiar”.

Em discurso recente, a presidente Cristina Kirchner disse que "já está demonstrado com a história que obrigar e negocias preços não dá certo".

Salários e escola

Na Argentina, os reajustes salariais são decididos nas chamadas “paritárias” - acordos negociados entre trabalhadores e empresários que precisam ser ratificados pelo Ministério do Trabalho. Apesar de a inflação oficial girar em torno de 10% ao ano, o governo tem concedido aumentos superiores. “Ao fazer isso está, de certa forma, reconhecendo que a inflação real é maior que a oficial”, disse àAgência Brasil o ex-ministro da Economia (de Nestor e Cristina Kirchner), Roberto Lavagna.

Apesar disso, este ano, o governo não quer conceder aumentos superiores a 20% e os sindicatos, baseando-se no que chamam “índice do supermercado”, pediam mais.

O congelamento de preços temporário também coincide com a volta às aulas, no fim de fevereiro. É o momento em que as famílias argentinas mais sentem o peso da inflação: terminadas as férias, é hora de fazer matrícula e comprar material escolar. “Mudei minha filha de creche porque, no ano passado, a mensalidade praticamente duplicou e as vagas no sistema público, além de escassas, são difíceis de conseguir. Tive que colocá-la em uma creche privada para poder trabalhar”, disse a empregada doméstica Nancy Garcia.

"O congelamento para frear a inflação só serve se vier acompanhado por uma mudança confiável na política econômica para torná-la consistente. Acho que esse não é o caso argentino hoje. Até o momento, os sindicalistas não moderaram seus pedidos salariais depois do anúncio do congelamento", disse o economista Matias Carugati, da consultoria Management&Fit. "A crise no setor de construção, no setor de compra e venda de imóveis e a inflação, palavra tabu para o governo, fazem parte dos motivos da desconfiança dos argentinos, o que reflete na alta do dólar no paralelo", acrescentou o economista.

Dólares e turismo

Para escapar da inflação, os argentinos voltaram ao antigo hábito de poupar em dólar. No entanto, no ano passado, o governo impôs controles de câmbio: quem quiser comprar moeda estrangeira precisa pedir aprovação da Afip (Receita Federal argentina). O governo também bloqueou saques, com cartões de débito de bancos argentinos, no exterior. E impôs uma taxa adicional para quem usar o cartão de crédito fora do país.

Ainda assim, os voos para destinos como o Caribe estavam lotados em janeiro – mês em que a maioria dos argentinos foge das cidades em busca de praias de água quente. “Foi por causa da inflação e do controle ao dólar”, explica Ana Catolino, que trabalha em uma agência de viagens de Buenos Aires. “Desde que limitaram a compra de dólares, nossos clientes têm usado o cartão para comprar pacotes de turismo com tudo incluído, muitos deles em resorts no Caribe ou no México”. Os pacotes são vendidos, de forma parcelada, em pesos argentinos – ao câmbio oficial. No mercado paralelo (que surgiu com o controle de câmbio), o dólar vale quase oito pesos, enquanto no oficial, cinco.

A inflação oficial é motivo de polêmica na Argentina desde 2007 e é criticado por economistas independentes e o Fundo Monetário Internacional. Este ano, o governo trocou o comando do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos), que divulga o índice, e vieram à tona críticas de oposicionistas e funcionários do instituto que dizem que há manipulação dos números. O governo, porém, nega as acusações.

* Com informações de Agência Brasil, La Nación e El Liberal Via: Opera Mundi

Rússia e Itália planejam construção de submarinos multifuncionais

Rússia e Itália planejam construção de submarinos multifuncionais
A agência russa de exportação Rosoboronexport se encontra em negociações com autoridades italianas para a construção de submergíveis do projeto S1000, que não serão utilizados por nenhum dos dois países, mas sim vendidos para terceiros.

Os especialistas russos da Oficina Central de Engenharia Naval Rubin e da italiana Fincatieri completaram o desenho conceitual do modelo há alguns anos. Agora, Rússia e Itália estudam a possibilidade de finalmente iniciar a produção.

Segundo o diretor comercial da Fincateri, Enrico Bonnetti, o submarino medirá 56 metros, terá um casco exterior duro de 5,5 metros de diâmetroo, poderá se deslocar, submerso, com carga total de 1.100 toneladas, a uma profundidade máxima de 250 metros e uma velocidade superior a 14 nós.

A embarcação poderá levar até 16 tripulantes e mais seis tropas de operações especiais. O S1000 é projetado para combates submarinos, atividades de reconhecimento e transporte de tropas. Mas objetivos secundários incluem guerras na superfície, apoio a aviões e helicópteros militares e até atividades de mineração.

FONTE: Diário da Rússia TRADUÇÃO: Poder Naval

Ahmadinejad diz em visita ao Egito que Irã já é Estado nuclear

Ahmadinejad diz em visita ao Egito que Irã já é Estado nuclear


Presidente iraniano afirma que propósito do projeto é defensivo, que não pretende atacar Israel e pede cooperação

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse ontem em entrevista à edição impressa do diário egípcio Al-Ahram que seu país já é um Estado nuclear, mas não tem intenções de atacar Israel. O líder persa está no Cairo, onde ontem cumpriu seu segundo dia de agenda oficial. Na esfera diplomática, no entanto, as negociações sobre o programa nuclear iraniano devem ser retomadas no fim do mês.

Na entrevista, Ahmadinejad diz que o mundo precisa lidar com o fato de que o Irã é uma potência nuclear. “Eles querem que o Irã retorne ao que era no passado, mas não terão sucesso. Eles acham que cederemos à pressão, mas essa interpretação é equivocada”, declarou. “Já somos um Estado nuclear e industrial.”

Ao afirmar que não pretende atacar Israel, o presidente iraniano ressaltou que os propósitos do programa são “defensivos”. Segundo Ahmadinejad, a melhor maneira de lidar com um Irã nuclear é a cooperação. Ainda de acordo com o líder persa, caso Israel opte por um ataque aéreo com caças para destruir o projeto atômico iraniano, o país tem um sistema de defesa capaz de responder à altura. “Eles querem atacar o Irã, mas nós não estamos preparando nenhum ataque contra eles, porque o propósito do nosso programa é a defesa”, disse o presidente.

Negociações. Na terça-feira, diplomatas ocidentais disseram ao jornal New York Times que as negociações sobre o programa nuclear iraniano serão retomadas até o fim deste mês. O grupo 5 + 1 (países com assento permanente no Conselho de Segurança e a Alemanha) e representantes do Irã se reunirão em Alma Ata, no Casaquistão .

O chanceler britânico, William Hague, disse que a necessidade de haver progresso nas negociações é “urgente”. “O Irã continua a enriquecer urânio, o que infringe as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, numa escala que não pode ser destinada para fins civis”, criticou Hague.

O acordo sobre a reunião no Casaquistão ocorre meses após a discussão sobre o local e a data da negociação. No ano passado, os EUA propuseram sediar um encontro na Turquia. Em resposta, o governo do Irã sugeriu uma reunião no Cairo. / NYT

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Defesa Aérea: Brasil será capaz de licenciar a montagem do Sistema Pantsir'

Defesa Aérea: Brasil será capaz de licenciar a montagem do Sistema Pantsir'

O chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), José Carlos de Nardi disse que o Brasil iria comprar os sistemas de defesa antiaérea russos Pantsir-S1e Igla (míssil portátil superfície-ar), com a transferência de tecnologia e a construção de uma fábrica local para a montagem deles. É possível que se trate da futura criação com a participação da Federação Russa de um esquema fundamentalmente novo de organização da defesa aeroespacial do Brasil. 
Na reunião da Comissão da Cooperação Técnico-Militar da Rússia em dezembro do ano passado, o presidente Vladimir Putin disse que um dos aspetos importantes para aumentar as exportações de armamento russo seriam as obras conjuntas de pesquisa científica e produção conjunta de produtos bélicos. Destacou a atenção especial dessa atividade no âmbito do BRICS. 
Um forte progresso estes dias teve lugar no caso do Brasil. Em dezembro do ano passado, no resultado da visita da presidente Dilma Rousseff a Moscou entre a empresa russa "Russian Technologies" e a brasileira Odebrecht Defesa e Technologia foram assinados dois acordos importantes: sobre a criação de uma joint venture que iria montar linha de helicópteros multiuso Mi-171 e sobre a manutenção da unidade dos helicópteros de combate Mi-35M (devem ser entregues 12 maquinas). Também foi anunciada a visita em janeiro de uma delegação brasileira a Rússia para discutir a compra dos sistemas de defesa aérea russos.

A delegação foi chefiada pelo Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas do Brasil, general José Carlos de Nardi. Estava acompanhado por especialistas da Odebrecht (produção própria de mísseis Mectron), a Embraer Defesa (produz radares Orbisat) e Avibrás (fabrica mísseis e o principal sistema de artilharia brasileiro, o Astros).

Segundo RIA-Novosti, o general afirmou as partes estarem preparando umcontrato de compra de duas baterias de mísseis portáteis anti-aéreos Igla e três baterias de sistemas de defesa aérea, Pantsir-S1 com transferência de tecnologia para posterior fabricação deles no Brasil. Estima-se que o contrato corresponda a mais de um bilhão de dólares.Segundo o jornal Folha de São Paulo o contrato será assinado durante a visita do primeiro-ministro russo Dmitry Medvedev ao Brasil nos finais de fevereiro. O jornal brasileiro opina que o sistema de defesa anti-aérea do Brasil é a parte mais fraca da defesa geral e chama os sistemas russos de "os mais modernos e eficientes" armas do mundo.

"O acordo sobre a transferência de tecnologia para a fabricação doméstica é um passo mutuamente benéfico. Como o Brasil será capaz de licenciar a montagem do mesmo Pantsir, sem que seja declarado um concurso internacional para a compra de sistemas de defesa aérea, que é obrigatório no caso da aquisição dos produtos importados, portanto os sistemas fabricados domesticamente serão considerados como sua própria produção ", — disse ao jornal" Kommersant " uma fonte próxima ao Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar (BTC). "A vantagem da Rússia é que vamos receber um bom dinheiro. A situação no mercado de armas é tal que os tender estão morrendo, muitos estão dispostos a trabalhar apenas com a criação de joint ventures. Não podemos ignorar isso", - concluiu.

A cooperação com o Brasil tem um futuro forte, uma vez que não se trata só de rearmamento , mas também da criação com a participação russa do novo organograma de defesa aeroespacial do Brasil. Uma apresentação sobre matéria foi feita para o Brasil pela empresa de pesquisa cientifica russa "Antey-Almaz". O projeto propõe que o país deva ser dividido em 5 distritos de defesa aérea usando armas apenas russas em três níveis — de alto, médio e curto alcance, representado, respectivamente, sistemas S-300 (C-400), várias modificações de sistemas de "Buk" e "Tor". 
A questão é se o Brasil terá o investimento, pergunta o jornal Folha. Dilma antes da visita a Moscou tinha visitado Paris, onde anunciou o congelamento do tender de 5 bilhões de dólares para a compra de 36 caças. Mas para a Rússia é a decisão favorável, uma vez que as campanhas dela não tinham participado dele. Agora, dado o fato de que a Rússia decidiu transferir tecnologias, abrem novas oportunidades para a participação do concurso do caça Su-35M, se o Brasil o renovasse. Falando do financiamento do novo sistema de defesa anti-aérea brasleira, é óbvio que o jogo vale a pena por causa das vantagens inegáveis ​​de sistemas russos. Assim, o co-fundador do centro analítico Air Power Australia, Dr. Carlo Kopp acredita que os aviões de combate americanos F-15, F-16 e F/A-18, bem como novo Joint Strike Fighter, não têm chances de sobrevivência contra os sistemas anti-aéreos russos. "É difícil dizer exatamente que elementos dos sistemas de defesa anti-aérea russos dão-lhes uma grande vantagem, pois a maioria deles funcionam em conjunto. São muito perigosos mísseis de longo alcance 48N6E2/E3 e 40N6 e o novo radar multimodo de capacidade multimissão capaz de resistir a maior parte das nossas radiointerferências, "- disse em entrevista a Lenta. ru. 
"Os novos sistemas móveis como Favorit, Triumf, Antey-2500, os sistemas de proteção de radar contra antimísseis e bombas guiadas, incluindo os sistemas autônomos de defesa aérea Tor-M2E e Pantsir-S1, também representam sérios obstáculos à supressão de defesa aérea inimiga "- resumiu Kopp. Não é por acaso que é cada vez maior o número dos países (China, Irã, Índia, Síria, Iraque) quer comprar sistemas de defesa anti-aérea russos.



Cooperação técnico-militar entre o Brasil e da Rússia efetua-se segundo o acordo intergovernamental de 2008. Segundo empresa "Russian Technologies", no período entre 2008 e 2012 ao Brasil foram entregues armas e equipamento militar correspondente a um total de 306,7 milhões de dólares. De acordo com o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), em 2008-2011, a Rússia tem fornecido equipamento militar ao Brasil por US $ 127 milhões em preços de 1990 (218,6 milhões em preços de 2011, de acordo com a CPI Inflation Calculator). Em quatro anos, o Brasil recebeu da Rússia 150 mísseis antitanque 9M114 "Storm", 250 sistemas portáteis de defesa anti-aérea "Igla-S" e nove helicópteros Mi-35M.



Por Lyuba Lulko - Do Pravda.Ru

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Representantes internacionais buscam a reconstrução do Mali


Representantes internacionais buscam a reconstrução do Mali


O Mali pediu nesta terça-feira ajuda para “combater os islamitas”, antes de uma reunião em Bruxelas entre a ONU, a União Africana (UA) e representantes da comunidade internacional com o objetivo de alcançar uma solução pacífica a longo prazo no país africano.

“Todo o mundo está aqui. Esta ameaça envolve os países civilizados”, salientou o ministro das Relações Exteriores de Mali, Tieman Coulibaly. “O mundo inteiro deve nos respaldar para combater os jihadistas em nosso território”, acrescentou.

O objetivo da reunião em Bruxelas é encontrar uma solução duradoura e a longo prazo para o país, uma vez que finalize a intervenção francesa no país africano. “Necessitamos nos preparar para o futuro”, disse uma autoridade europeia, um dia antes da reunião. “Quando um Estado cai precisamos reconstruí-lo, como se fosse Humpty Dumpty”, acrescentou a fonte, que pediu anonimato.

O exército francês continuou na segunda-feira a ofensiva perseguindo os grupos armados islâmicos no norte do Mali, onde acredita-se que mantêm em seu poder sete reféns franceses. Em Paris, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o dirigente da França, François Hollande, concordaram na necessidade de estabelecer o quanto antes uma força africana no Mali, para logo colocá-la sob a direção da ONU.

“Os Estados Unidos e a França concordam na necessidade de instituir tão rápido quanto possível a missão internacional liderada por africanos no Mali e passá-la tão rápido como a cautela permita às Nações Unidas”, afirmou Biden, após encontrar-se em Paris com Hollande.

Os islamitas, obrigados a abandonar as cidades de Gao, Tombuctú e Kidal, no norte, se refugiaram no em Ifoghas, situado a 1.500 km ao nordeste de Bamako, próximo da fronteira com a Argélia.

Em Ifoghas, em suas montanhas e grutas, berço dos tuareg, se escondem uma grande parte dos chefes e combatentes islamitas e se encontram os depósitos de armas e tanques de combustível, segundo analistas e fontes de segurança da região.

Nesta área também devem estar os reféns franceses sequestrados no Níger e no Mal, em 2011 e 2012, pelos grupos Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI), o Movimento para a Unidade e o Jihad na África Ocidental (MUYAO).

Com ajuda do Facebook, Exército Brasileiro invade hidrelétrica em simulação de guerra cibernética

Com ajuda do Facebook, Exército Brasileiro invade hidrelétrica em simulação de guerra cibernética





Não precisou de uma hora para que soldados conseguissem invadir o sistema de usinas hidrelétricas da nação inimiga e interromper o abastecimento nacional de energia. A equipe responsável pela operação tinha como objetivo enfraquecer o adversário, que perpetrava diversos ataques contra seu País. E para conseguir o acesso à rede do alvo, foram necessárias, basicamente, informações sobre um funcionário, obtidas na rede social Facebook. A planta da usina foi conseguida via um documento oficial do governo, disposto na internet por conta de um processo licitatório. E a porta de entrada que inutilizou as soluções de segurança foi encontrada graças a um hábito cada vez mais recorrente na vida dos colaboradores: o home office.

A situação descrita acima trata-se de uma simulação, com base em premissas mais do que reais, feitas pela equipe de soldados brasileiros que utiliza o primeiro simulador nacional de operações cibernéticas (Simoc), da Decatron. A companhia venceu licitação para fornecer o a solução ao Exército Brasileiro há pouco mais de um ano, em dezembro de 2011, com o custo total de R$ 5 milhões.

A preparação para uma guerra online – um inimigo silencioso que fica cada vez mais próximo, especialmente com ataques como o do vírus Stuxnet e diversas invasões do Anonymous e LulzSec– tornou-se foco brasileiro no início de 2011, ganhando corpo depois de invasões de hackers a sites do governo.

“O único dado fornecido para essa simulação era o nome de um funcionário da usina. Foi criado um perfil falso no Facebook, pelo qual foi descoberto o endereço IP da máquina e a rede de acesso Wi-Fi utilizada. Com esses dados os estudantes obtiveram as senhas de acesso à rede da usina”, contou Carlos Rust, sócio da Decatron. “Esta é uma operação muito barata – muito mais barata do que soltar uma bomba na usina para ter o mesmo efeito”, comparou. Não foi necessária, segundo Rust, nenhuma iniciativa arrojada – como a criação de uma Advanced Persistent Threat (APT), onde um sistema silencioso e persistente espiona a rede corporativa em um ataque feito de forma direcionada, ou a descoberta de uma vulnerabilidade do tipo Zero-Day de softwares utilizados na corporação. Tudo foi possível graças à falta de governança de TI no acesso remoto à rede corporativa. “Tinha uma porta aberta na rede doméstica do colaborador”, detalhou.

O projeto do Simoc durou cerca de um ano e meio. “Aplicamos esses projetos em umas 30 pessoas, em média, entre doutores, engenheiros e analistas. Foi um desenvolvimento colaborativo”, explicou. O produto tem como objetivo trazer simulações de guerras cibernéticas, e permite o treino tanto de atacantes quanto protetores de rede. “O sistema guarda essas informações dos cenários e treinamentos realizados. Aprendendo com o tempo, vai ficando cada vez mais rico em termos de informação”, comentou, detalhando que o produto foi criado com base em Java e se vale de bancos de dados relacionais para o armazenamento do conteúdo – neste caso específico, o SQL Server.

“Vamos investir nesse simulador, para comercializar em outras universidades e outras instituições militares, e empresas privadas e públicas de grande porte. Temos contato com países amigos, como Chile e Colômbia, através do suporte do Exército”, finalizou Rust.

FONTE: IT Web via Resenha do Exército via: forças terrestres

O Congresso saiu do armário


O Congresso saiu do armário
Por Arnaldo Jabor


O congressista bateu no peito e me disse, em alto e bom som: “Vocês não sabem o que é a mente de um deputado ou senador. Durante muito tempo, fomos criticados como os mais corruptos soldados do atraso nacional, porque os brasileiros vivem angustiados, com sensação de urgência. Problema deles: apressadinhos comem cru. Nosso conceito de tempo é outro. É doce morar lentamente dentro dessas cúpulas redondas, não apenas para ‘maracutaias’ tão “coisas nossas”, mas porque temos o direito de viver nosso mandato com mansidão, pastoreando nossos eleitores, sentindo o ‘frisson’ dos ternos novos, dos bigodes pintados, das amantes nos contracheques, das imunidades para humilhar garçons e policiais. Detestamos que nos obriguem a ‘governar’.

Inventaram as tais ‘fichas limpas’, nos xingavam de tudo, a ponto de nossa credibilidade ficar realmente abalada. Pensamos muito no que fazer para limpar o nome do Congresso. Mas a pecha de traidores colou em nós. Não podíamos ficar expostos à chacota da opinião pública, nem ser admoestados pelo Supremo Tribunal Federal, que resolveu se meter em política, principalmente depois que aquele negão pernóstico (bons tempos em que chamávamos mulatos cultos de ‘pernósticos’), resolveu pegar em nosso pé.

Tivemos então a grande ideia, graças a nosso eterno líder Sarney, de fazer algo impensável! Ele já tentara votar 3.000 MPs em um só dia, lembram? Aquilo nos inspirou e resolvemos então: vamos sair do armário!

Resolvemos assumir o que dizem de nós. Vocês não imaginam o alívio que isso despertou em todos nós. A gente andava cabisbaixo nos corredores, humilhados nas ruas, vaiados em restaurantes, até que veio a ideia genial. A vitória de Renan e Henrique Alves será uma bofetada na cara dos moralistas de direita, essa UDN difusa como bem denunciou nosso companheiro Dirceu. Como foi simples a ideia! Foi oriunda do próprio Renan, e apoiada pelos companheiros peronistas do PT. É isso mesmo, qual é?

Não somos santos coisa nenhuma. Somos cobras criadas. Nós somos escolhidos entre os mais espertos dentre os mais rombudos. A estupidez nos fornece uma estranha forma de inteligência, uma rara esperteza para golpes sujos e sacos puxados. Nós somos fabricados entre angus e feijoadas do interior, em favores de prefeituras, em pequenos furtos municipais, em conluios perdidos nos grandes sertões. Nós somos a covardia, a mentira, a ignorância. Nós somos a torta escultura feita de gorjetas, de sobras de campanha, de canjica de aniversários e água benta de batismos. Somos mesmo, e daí?

Para nós, “interesse nacional” não existe. Estamos aqui para lucrar – se não, qual a vantagem da política?

Vocês não imaginam a delícia de sermos chamados de “canalhas”, o prazer de se sentir acima da ridícula moralidade de classe média.

O PMDB está de parabéns – assumiu que nossa bandeira eterna é a visão de mundo do Sarney, nosso guia. Vocês viram como ele chorou no dia em que passou a presidência para o Renan? Ele chorou por sua vida de lutas para manter nossa doce paralisia, a cordial tradição de patrimonialistas e oligarcas. Ele não chorou pelo Maranhão, que domina há 60 anos – chorou por si mesmo.

Que alívio! Não lutaremos mais para demonstrar boa conduta. Ao contrário, queremos o descrédito popular para sempre. Assim, esses jornalistas metidos a vestais terão o que merecem, pois o povo vai desistir de nós. Não julgarão mais nossos atos, pois saberão que é inútil. Queremos que o público perca qualquer esperança de mudanças. Queremos a desesperança do povo, queremos uma opinião pública angustiada e enojada de nós. Assim, teremos o sossego da irresponsabilidade total!

E o inesperado poder que isso nos deu? É maravilhoso. Estamos unidos por nossa verdade, como um movimento de minorias, como gays, sei lá. Podemos apoiar e bloquear o Executivo sem hesitar, principalmente porque contamos com o apoio incondicional de nossos companheiros peronistas do PT. Como não pensamos nisso antes?

Por exemplo, outro dia, o companheiro Gilberto Carvalho, da Casa Civil de d. Dilma Rousseff disse:

“Em 2013, o bicho vai pegar!” Que será que ele quis dizer? Vai pegar em quem? E que bicho? A cobra urutu-cruzeiro, o bicho de sete cabeças ou o chupa-cabras? Eu acho que ele deu uma dica de que o bicho vai pegar na liberdade de expressão… Por quê? Porque nos últimos dias, houve indícios de um desejo antigo dos companheiros do PT: o controle da mídia. Isso. Para eles é uma questão ‘ideológica’, mas, para nós, um feriado luminoso. Imaginem o descanso de Jucá, Lobão Pai e Filho, Renan – que brilhantemente glosou a máxima de que ‘fins justificam meios’ com a frase imortal: “Ética é um meio, não um fim” ou a bela bravata do Lobinho: “O último que quis ser vestal aqui foi desossado!” (assim como os bois imaginários do Renan e Jucá). Eles querem a imprensa? Nós topamos tudo. Podem levar.

Aliás, houve várias mensagens cifradas do PT.

Em Cuba, o nosso Lula, que foi lá para ver se o Chávez ainda está vivo, declarou na ilha que a imprensa é inimiga do povo, que ele é atacado pelos capitalistas do mal, etc… O Rui Goethe Falcão repetiu a lengalenga. No outro dia, o Dirceu fez um discurso conclamando a ‘militância’ a lutar contra a direita da imprensa e o heroico ex-jornalista Franklin Martins está se encontrando com a presidente. Se for esse o bicho que vai “pegar”, contem conosco. Seria maravilhoso não só para os comunas esse muro de Berlim, mas para nossos malandros da “mão grande”, melhor ainda.

A Dilma andou dizendo que nunca permitirá a censura à imprensa… Vamos ver. Ela é brava, mas não vai resistir ao cerco político de seus stalinistas e de nossos puxa-sacos bem treinados, num país onde a oposição se suicidou por burrice e preguiça, o bicho pode mesmo pegar. Estamos às ordens.

Parabéns Renan e Henriquinho, vocês são nossos vingadores.

Arnaldo Jabor é Cineasta e Jornalista. Originalmente publicado nos jornais O Globo e Estadão de 5 de fevereiro de 2013.

FONTE: Poder aereo

Mercado de ARP: Avibras se une à Embraer e AEL na Harpia Sistemas


Mercado de ARP: Avibras se une à Embraer e AEL na Harpia Sistemas

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Avibras e Harpia Sistemas se unem para desenvolver mercado de aeronaves remotamente pilotadas no Brasil
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Em nota veiculada nesta terça-feira, 5 de fevereiro, a Embraer Defesa e Segurança e sua associada AEL Sistemas S.A (subsidiária da empresa israelense Elbit Systems Ltd) anunciaram a entrada da Avibras Divisão Aérea e Naval S.A. no capital social da Harpia Sistemas S.A. O objetivo do acordo é desenvolver de forma conjunta o mercado de aeronaves remotamente pilotadas (ARP) no Brasil. Deste modo, a Avibras passará a deter uma participação de 9% das ações da empresa enquanto a AEL Sistemas responde por 40% da composição acionária. A Embraer Defesa e Segurança permanece como acionista majoritária, com 51% das ações.

Pelo acordo firmado entre as três empresas, a Harpia também passará a contar com o projeto Falcão em sua linha de produtos, o que reforça o conteúdo nacional da parceria. O Falcão está sendo desenvolvido pela Avibras para uso das Forças Armadas brasileiras e será capaz de realizar missões de reconhecimento, aquisição de alvos, apoio à direção de tiro, avaliação de danos, vigilância terrestre e marítima.


“A entrada da Avibras aumenta a participação nacional na Harpia Sistemas, que passa a cumprir todos os requisitos de uma Empresa Estratégica de Defesa, de acordo com a lei 12.598”, disse Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança e Presidente do Conselho de Administração da Harpia. “Além disso, a Harpia contará com a competência técnica da Avibras”.

“A sinergia das competências técnicas e industriais das três associadas da Harpia, somada ao legado de alto conteúdo tecnológico nacional do Projeto Falcão, resultarão em uma solução de ARP de alta competitividade no Brasil e no Exterior”, disse Sami Hassuani, presidente da Avibras.

“A Avibras traz para a empresa o melhor do know-how que foi desenvolvido de forma autônoma no Brasil em aeronaves não tripuladas fazendo da Harpia, que já contava com as extensas capacidades da Embraer e da AEL, uma empresa que agrega todos os elementos necessários para o desenvolvimento no Brasil, com sucesso, de ARPs de última geração que atenderão às necessidades do nosso País”, disse Shlomo Erez, Presidente da AEL Sistemas S.A.

NOTA DO EDITOR (Poder Aereo) : veja abaixo reportagem da TV Vanguarda (publicada no youtube no ano passado) sobre o desenvolvimento do Falcão da Avibras.



FONTE: Embraer via Poder Aereo

A África ocupará o lugar da China?


A África ocupará o lugar da China?


A África ocupará o lugar da China... Os recursos de mão-de-obra no “Império Celeste” estão prestes a serem esgotados. Este é um desafio sério a toda a economia moderna. Alguns analistas reputam que a salvação virá do continente africano que irá tornar-se uma nova fonte de mão-de-obra barata e, futuramente, o centro da produção mundial. Será assim mesmo?

A base do “milagre chinês” foi a fusão de um sistema autoritário rígido com uma reserva enorme da mão-de-obra barata. Mas quaisquer reservas não são infinitas. Jack Goldstone, professor da Universidade de Jorge Maisson, Washington, declarou no Fórum Gaidar-2013, realizado em Moscou, que dentro de alguns anos o crescimento da mão-de-obra chinesa vai ceder lugar à recessão devido ao envelhecimento geral da população. Isto quer dizer que os modelos econômico e social dos últimos trinta anos estarão ameaçados. O professor americano reputa que as áreas de produção asiáticas devem deslocar-se gradualmente para a África.
Tanto os economistas, como os especialistas em estudos orientais estão de acordo de que o recurso básico da China será esgotado em breve. Eis a opinião de Andrei Ostrovski, vice-diretor do Instituto do Extremo Oriente junto da Academia de Ciências Russa.
"Com efeito, a mão-de-obra chinesa torna-se cada vez mais cara e dentro de uns dez anos o seu preço será comparável ao respectivo parâmetro de Taiwan, Hong-kong, Coréia e Japão. O nível salarial irá subir substancialmente todos os anos. O problema está ligado basicamente ao fato de que a partir de 2016 vai diminuir a cota economicamente ativa na população da China. Por isso, irá crescer o custo da mão-de-obra. Além disso, irá exercer a sua influência a elevação da qualificação dos quadros."
Ao mesmo tempo, os peritos encaram com ceticismo a tese a respeito do futuro papel da África. Eis a opinião de Ruslan Grinberg, diretor do Instituto de Economia junto da Academia de Ciências Russa.
"Quanto à idéia de que depois do preço da mão-de-obra na China atingir o nível europeu toda a produção vai passar para a África, esta idéia é totalmente exótica. Na África não existem condições necessárias e é pouco provável que a produção seja transferida para este continente. Falta também a respectiva infra-estrutura. A sua edificação é toda uma epopéia. Neste caso deve existir a força de vontade do Partido Comunista, o que se deu na China. Ou a exemplo do Partido Comunista, na Coréia. Creio que no caso da África isto não dará certo."
Com efeito, os investimentos afluem para os países do Continente Negro. Todavia o perito em estudos orientais Andrei Ostrovski constata que tanto os EUA, como a China, investem nos ativos relativos à matéria-prima, de que necessitam para o desenvolvimento da produção nos seus próprios territórios.
Mas a questão básica não é a África. O trabalho mal pago tornou-se uma das causas da crise econômica.
O trabalho barato não somente freia as tecnologias, mas também intensifica a desigualdade social. Aliás, Ruslan Grinberg ressalta que jamais faltam as produções que requerem o trabalho braçal.


Fonte: A voz da Russia

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Segunda geração de E-Jets terá aviônica Primus Epic 2 da Honeywell


Segunda geração de E-Jets terá aviônica Primus Epic 2 da Honeywell


A Embraer informou nesta segunda-feira, 4 de fevereiro, que selecionou a Honeywell para fornecer o sistema integrado de aviônica Primus Epic 2 para a segunda geração de E-Jets, cuja entrada em serviço está prevista para 2018. Segundo a empresa, a decisão é mais um importante marco no programa que tem previsão de lançamento ainda este ano. No mês passado, a Embraer selecionou a Pratt & Whitney como fornecedor de motores.

“A Honeywell tem sido um valioso parceiro comercial da Embraer por muitos anos e, por isso, é com grande confiança que estendemos nosso relacionamento para este importante programa”, disse Paulo Cesar Silva, Presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial. “Acreditamos que a evolução do Honeywell Primus Epic, incluindo monitores de grandes dimensões, oferecerá a flexibilidade para uma contínua inovação no cockpit, além de oferecer um sistema maduro e uma transição suave para os pilotos entre a atual e futura geração de E-Jets.”

O sistema integrado de aviônica Honeywell Primus Epic 2 que equipará a segunda geração de E-Jets será uma evolução do sistema Primus Epic, existente na atual geração, o que garantirá um alto grau de comunalidade para os pilotos. Os cinco monitores com dimensões de 8 por 10 polegadas serão substituído por quatro grandes monitores de 13 por 10 polegadas com capacidades gráficas avançadas. O Next Generation Flight Management System (Sistema de Gestão de Voo de Nova Geração), da Honeywell, já em desenvolvimento na geração atual de E-Jets, proporcionará maior capacidade de planejamento de voo, navegação e desempenho da aeronave.

“O Honeywell Primus Epic 2 é incrivelmente inovador, altamente integrado e com tecnologia comprovada que tornam o voo mais seguro e eficiente. Nossos sistemas aviônicos são encontrados dentro dos aviões mais bem-sucedidos do mundo, incluindo a atual família de aeronaves EMBRAER 170/190”, disse John Bolton, Presidente de Air Transport & Regional Aerospace da Honeywell. “Estamos comprometidos com a continuidade de nossa parceria, enquanto procuramos oportunidades adicionais nos E-Jets com nossa ampla gama de produtos e serviços.”

Somente nos E-Jets, o sistema Honeywell Primus Epic acumula mais de nove milhões de horas de voo. Como esta aviônica é baseada em software, a Embraer será capaz de integrar de forma simples e efetiva as futuras funcionalidades de comunicação, navegação e gerenciamento de tráfego aéreo.

Assim como na atual família de jatos comerciais, a segunda geração de E-Jets estará equipada com Head-up Displays (HUD) duplos, que serão oferecidos como opcionais. A seleção do fornecedor para este sistema irá ocorrer ainda este ano.

A segunda geração de E-Jets será um passo significativo no compromisso da Embraer de investir continuamente nessa linha de jatos comerciais. Motores de última geração, juntamente com novas asas de aerodinâmica avançada, moderno sistema eletrônico de comandos de voo fly-by-wire, assim como outras evoluções de sistemas, resultarão em melhorias de dois dígitos no consumo de combustível, custos de manutenção, emissões e ruído externo das aeronaves. O objetivo da Embraer é oferecer sempre o melhor produto e manter sua liderança no mercado de 70 a 120 assentos, no qual mais de 900 E-Jets estão em serviço em todo o mundo. Atualmente, 62 clientes de 42 países já operam ou estão prestes a receber os E-Jets da Embraer.

FONTE / IMAGEM: Embraer  VIA: Poder Aereo

Candidato brasileiro na OMC quer destravar rodada de Doha e combater "protecionismo"


Candidato brasileiro na OMC quer destravar rodada de Doha e combater "protecionismo"


Roberto Azevêdo se distancia de posição brasileira sobre comércio exterior, e é contra proteção à economia nacional


Sandro Fernandes/Moscou
O embaixador Roberto Carvalho de Azevêdo, candidato do Brasil ao cargo de diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), coloca a necessidade em destravar a rodada de Doha como a principal necessidade da instituição. Em campanha pelo mundo, ele se encontra em Moscou nesta segunda-feira (04/01), onde foi recebido pelo primeiro vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Andrei Denissov, em busca de apoio para a candidatura.

Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (04/01) na capital russa, o embaixador falou sobre a importância em avançar as negociações do sistema multilateral de comércio, como a própria rodada, ressaltando que “há vinte anos” o mundo não obtém “nenhum resultado” no âmbito da organização.

“A OMC é maior do que a rodada, mas enquanto este impasse não for solucionado, todo o sistema tende a ficar paralisado”. A Rodada de Doha é uma ciclo de negociações multilaterais iniciadas em Doha, no Qatar, em 2001, que defende a liberalização do comércio mundial, diminuindo barreiras comerciais e medidas de proteção econômicas nacionais. No entanto, os interesses de cada país, principalmente na proteção ao setor agrícola, impediram que as negociações avançassem.

Azevêdo tem buscado se distanciar da posição brasileira sobre o comércio exterior, tida como protecionista pelos países ricos, para evitar que isso prejudique a sua candidatura. “Como diretor-geral da OMC, eu não estarei avançando (sic) uma agenda brasileira, mas uma agenda dos membros como um todo”, enfatizou em duas ocasiões.

A inclusão de novos temas na agenda da OMC também foi defendida pelo embaixador. “O mundo tem mudado e há temas que precisam ser discutidos, como meio ambiente e comércio, energia e comércio. O que tem travado as negociações é o acesso aos mercados”.

A Rússia entrou oficialmente na OMC em agosto de 2012, depois de 18 anos de negociações, tornando-se o 156° membro da organização. Segundo Azevêdo, a articulação com os Brics é importante para o “amadurecimento” russo no grupo. O embaixador disse ainda que o G20 (presidido pela Rússia em 2013) é “uma peça importante do sistema de governança mundial, sobretudo nos aspectos econômicos, comerciais e financeiros”.

Quando questionado sobre a previsão de crescimento do Brasil e da Rússia, o embaixador brasileiro preferiu ser cauteloso, afirmando que qualquer previsão é sempre arriscada, mas declarou que “países como o Brasil e a Rússia estão em condições de manter taxas de crescimento saudáveis num patamar atual ou superior, principalmente se os preços das commodities continuarem no mesmo nível”.

A utilização das moedas nacionais para transações internacionais também foi defendido por Azevêdo. Para ele, o uso de moedas tradicionais (dólar e euro) em detrimento das moedas nacionais é uma cultura das empresas privadas, que tendem a indexar as transações a estas moedas. O embaixador citou ainda que “a estabilização do valor das moedas nacionais, evitando oscilações cambiais muito fortes e dando previsibilidade às negociações bilaterais” é um primeiro passo para avançar nesta questão.


Como Rússia e Brasil são dois grandes fornecedores mundiais de commodities, o embaixador destacou a importância de que o sistema produtivo nacional seja capaz de atender a uma crescente demanda mundial, principalmente no setor de alimentos. “A melhor defesa contra medidas protecionistas é a própria OMC”, lembrando que, com a crise financeira de 2008, esperava-se um acirramento das medidas protecionistas, mas “uma das forças para conter este protecionismo foi a organização”.


Ele ainda acredita que os países africanos, “sobretudo os mais pobres”, seriam os grandes vencedores de uma rodada ampla e ambiciosa de negociações comerciais.

O candidato brasileiro à direção geral da OMC acredita ainda que o Brasil como membro dos Brics, tem procurado uma aproximação crescente com a Rússia e outros integrantes do bloco, mas faz uma ressalva: “Somente unidos, tanto na OMC quanto no G20, os Brics serão um fator importante no processo decisório e na definição de conceitos para a governança global”.

Em 2011, o Brasil levou à OMC uma queixa contra o a política da China de desvalorização cambial do yuan, considera pelo governo brasileiro como uma medida protecionista.

Votação

A escolha do novo diretor-geral começa no dia 1° de abril e termina no dia 31 de maio. Além do brasileiro, competem representantes do México, da Costa Rica, de Gana, do Quênia, da Coreia do Sul, da Indonésia, da Nova Zelândia e da Jordânia.

Na América do Sul, segundo Azevêdo, “a candidatura brasileira foi bem recebida e alguns países se comprometeram em apoiar o Brasil”. No entanto, não houve nenhuma tentativa de um apoio regional completo a nenhuma das candidaturas da região.

O diretor-geral da OMC é eleito para um mandato de quatro anos, podendo ser reeleito. “Não sei se há um limite estatutário de dois mandatos. Por enquanto, só penso no primeiro mandato”, explica o candidato brasileiro.

A guerra dos drones

A guerra dos drones

predator-drone


É inconteste o direito de qualquer país de se defender, mas é preciso limitar, pelo direito internacional, as ações de aeronaves não tripuladas

Guerras são travadas nos campos de batalha, mas amiúde acabam decididas pelo que sai dos laboratórios de cientistas e das pranchetas de engenheiros. Quem detém a melhor tecnologia bélica conta com uma formidável vantagem sobre o adversário.

Tecnologia superior só não é sinônimo de vitória porque o curso do conflito não é determinado só pelas batalhas, mas também por considerações políticas, pela estratégia militar e pelo próprio acaso.

De toda maneira, a tecnologia frequentemente redefine os termos políticos da disputa. Foi assim com as bombas nucleares, que desembocaram na Guerra Fria. Está sendo assim com os drones, os veículos aéreos não tripulados, cada vez mais utilizados pelos americanos em sua guerra contra o terror, que baratearam e banalizaram a morte de inimigos por controle remoto.

Não se contesta o direito dos EUA ou de qualquer outro país de defender-se de grupos radicais que se valem de combatentes irregulares e táticas terroristas. Mas é justamente para diferenciar-se dessas facções que Estados responsáveis precisam sujeitar-se a regras de combate e limitar suas ações pelo direito internacional e por controles institucionais do próprio país.

Na esfera do direito e da ética, a guerra dos drones levanta mais dúvidas do que oferece respostas.

Para começar, a decisão de usar os veículos para eliminar indivíduos considerados terroristas equivale a uma pena de morte sem o devido processo legal, uma violação aos princípios da justiça penal.

Que isso possa ocorrer no calor da batalha é um dado da realidade. Mas, pelas informações publicadas na imprensa americana, assassinatos seletivos cometidos com drones estão se convertendo na principal arma de Washington.

Estima-se que o número de mortos nessas operações -sobretudo no Paquistão, no Afeganistão e no Iêmen- esteja em torno dos 3.000, dos quais algo entre 200 e 900 seriam civis. É o que se designa pelo eufemismo “dano colateral”.

As ações seriam realizadas pela CIA e também por militares. O próprio presidente Barack Obama estaria autorizando as incursões mais importantes ou controversas.

Pior, alguns dos assassinados são pessoas das quais os EUA não conhecem nem mesmo o nome. Elas são selecionadas com base em padrões de atividade que se acredita associados com comportamento terrorista, com base em análise de imagens obtidas por drones de reconhecimento. Réus sem nome.

A tecnologia dos drones veio para ficar, na guerra e na paz.

As polícias nos EUA são as principais interessadas em adquirir câmeras voadoras que poderão custar menos de US$ 300, o que já mobiliza entidades de direitos civis. Se o que acontece na luta contra o terrorismo serve de precedente, elas têm motivos para preocupar-se.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

seul e Washington iniciam exercício naval no Mar do Japão



seul e Washington iniciam exercício naval no Mar do Japão

A ação militar prepararia as forças navais "perante uma eventual provocação da Coreia do Norte"; Pyongyang anunciou terceiro teste nuclear

Coreia do Sul e Estados Unidos iniciaram nesta segunda-feira (04/02) um exercício militar conjunto no Mar do Leste (Mar do Japão), informou à Agência Efe um porta-voz do Ministério da Defesa de Seul, em um momento de "alta tensão", após o anúncio norte-coreano de realizar um novo teste nuclear.


O exercício, destinado a "coordenar as forças navais dos dois aliados perante uma eventual provocação da Coreia do Norte", não está relacionado, no entanto, com o possível teste nuclear do país vizinho, já que "estava programado há um ano", assegurou o porta-voz.

A fonte disse que, em todo caso, a península coreana vive um momento de "alta tensão" desde que o regime de Kim Jong-un anunciou há duas semanas que realizará em breve um terceiro teste nuclear "de maior nível" que os dois anteriores realizados em 2006 e 2009.

O exercício naval conjunto incluirá diversas manobras navais como detecção de submarinos, simulacros com fogo real e testes de resposta a ataques com mísseis balísticos, segundo o Exército sul-coreano.

FONTE:  Opera Mundi

O festival de ódio da mídia contra a Venezuela continua

O festival de ódio da mídia contra a Venezuela continua

Sem compromisso com estatísticas e dados, imprensa ocidental publica o que quer sobre Venezuela, desde que contra Chávez

Na semana passada, houve um verdadeiro festival midiático de ódio contra o presidente venezuelano Hugo Chávez, com algumas das mais influentes publicações de ambos os lados do Atlântico realmente execrando o cara. Até mesmo para os padrões de hostilidade com os quais estamos acostumados, foi impressionante.

É interessante, já que os Estados Unidos são um dos únicos países do mundo onde as notícias da mídia mais liberal – NPR [Rádio Pública Nacional] ou até mesmo a New Yorker – são minimamente diferentes das transmitidas na Fox News ou outros meios de comunicação de direita (como veremos mais abaixo).

O episodio mais engraçado veio do El País, que na última quinta-feira (31/01) publicava em sua primeira página a fotografia de um homem que alegavam ser Chávez, deitado em uma cama de hospital, aparentando estar em um estado bem complicado, com tubos em sua boca. Logo se descobriu que a foto era completamente falsa. Ops! O jornal, que é a publicação mais influente da Espanha (e com muita repercussão na América Latina também), teve que retirar a edição das bancas e pedir desculpas publicamente. No entanto, assim como os venezuelanos reclamaram, não houve desculpas nem para Chávez nem para com sua família. Não é surpreendente, já que o El País odeia Chávez profundamente.

O New York Times, por outro lado, publicou outro exemplo de ódio na seção de editoriais abertos. O cachorro morde o homem. Nada de novo aqui, eles fizeram isso por quase 14 anos – o mais recente foi há apenas três meses. Este foi marcadamente pouco original, ao comparar o governo de Chávez com um romance de realismo mágico latino-americano. Continha pouquíssima informação – mas a falta de compromisso com os fatos permitiu que os autores alegassem que o país estava com a "produtividade em queda" e tinha uma "carga enorme de dívida externa". Mas a produtividade não "diminuiu" com Chávez; de fato, o PIB real per capita, que é basicamente condicionado pelo crescimento, aumentou 24% desde 2004 (para uma explicação de porque 2004 é um ponto de partida razoável, leia aqui). Nos 20 anos anteriores a Chávez, o PIB real per capita na verdade diminuiu. Quanto à "carga enorme de dívida externa", a dívida externa pública da Venezuela equivale a cerca de 28% do PIB, com um juros de aproximadamente 2% do PIB. Se essa cifra é enorme, bom, vamos apenas dizer que essas pessoas não têm um bom senso de quantidade.

Os autores provavelmente só estavam seguindo a regra comum, que é a de que se pode dizer praticamente o que quiser sobre a Venezuela, desde que seja negativo, e normalmente ninguém questiona. As estatísticas e os dados quase não são levados em conta quando a imprensa está apresentando sua imagem feia.

Isso se aplica especialmente para a reportagem de Jon Lee Anderson publicada na edição da New Yorker de 28 de janeiro, "Slumlord: What has Hugo Chavez wrought in Venezuela?" (Senhor das favelas: o que Hugo Chávez criou na Venezuela?). Nela, ele menciona de passagem que "os venezuelanos mais pobres estão ligeiramente melhor hoje em dia". Ligeiramente? De 2004 a 2011, a extrema pobreza foi reduzida em dois terços. A pobreza foi reduzida pela metade. E esses indicadores somente medem a renda. Não consideram o acesso ao sistema de saúde que agora milhões possuem, ou a duplicação do número de matriculados em universidades – com educação gratuita para muitas pessoas. O acesso às pensões públicas triplicou. A cifra de desemprego caiu pela metade em relação à existente quando Chávez assumiu.

Eu não deveria ter que ressaltar que a redução da pobreza venezuelana, o crescimento da renda real (ajustada à inflação) e outros dados básicos não são questionados por especialistas, e nem sequer por agências internacionais de estatísticas como o Banco Mundial ou a ONU. Até mesmo os economistas da oposição usam esses dados para fazer oposição ao governo. São somente os jornalistas como Anderson os que evitam que números e fatos corroborados interfiram em seu texto.

Anderson dedicou milhares de palavras, em uma das principais revistas literárias dos Estados Unidos, para fazer um retrato do lado obscuro da vida na Venezuela: ex-presos, ocupações, prisões horríveis. "Uma espessa linha preta de excrementos humanos corria em um muro exterior, e o pátio de dentro era um mar de águas residuais e lixo de vários pés de profundidade". Ele usa mais de uma década de visitas à Venezuela para despejar no leitor suas lembranças mais repugnantes da sociedade e do governo. O texto está acompanhado de uma série de fotografias sombrias, em um deprimente branco e preto, de pessoas com aspecto infeliz em ambientes feios (eu não podia parar de pensar em todas aquelas pesquisas internacionais que continuam descobrindo que os venezuelanos estão entre as pessoas mais felizes da América Latina e do mundo – será que Anderson nunca conheceu nem ao menos um destes venezuelanos?).

Sou a favor do jornalismo que expõe os piores aspectos de qualquer sociedade. Mas o que faz com que este texto seja somente mais um trabalho mal feito de política barata são as conclusões que o autor extrai de seu recorte estreito e intencionalmente escolhido da realidade venezuelana. Por exemplo:


"Eles [venezuelanos] são vítimas de seu afeto por um homem carismático... Após quase uma geração, Chávez deixa seus compatriotas com muitas perguntas sem resposta, mas somente com uma certeza: a revolução que ele tentou trazer nunca se realizou. Ela começou com Chávez, e com ele provavelmente terminará”.

Sério? Na verdade não parece. Até mesmo o adversário de Chávez na eleição presidencial de outubro, Henrique Capriles, teve que prometer aos eleitores que manteria e, inclusive, ampliaria os programas sociais da era Chávez que aumentaram o acesso dos venezuelanos à saúde e à educação. E depois que Chávez o derrotou com uma ampla margem de 11 pontos percentuais, o partido de Chávez aumentou seu número de governadores, de 15 para 20 dos 23 Estados venezuelanos nas eleições seguintes. Nesta disputa, Chávez não estava sequer mais no país.

Porém, o mais chocante é a parcialidade da reportagem da New Yorker. Imagine, por exemplo, escrever um artigo sobre os Estados Unidos no fim dos oito anos do governo de Clinton - entrevistando os sem-teto e pobres, os torturados em nossas prisões, os desempregados e as mães solteiras pobres que lutam para alimentar seus filhos. Você poderia dizer impunemente que foi só isso que “O que Clinton fez nos Estados Unidos”? Sem mencionar que o desemprego atingiu seus menores recordes, não vistos desde os anos 1960, que a pobreza diminuiu drasticamente, que esta foi o ciclo de expansão empresarial mais prolongado da história dos Estados Unidos?

Esta analogia é imperfeita, já que muitas pessoas fora dos Estados Unidos sabem alguma coisa sobre o país, e não acreditariam em uma história tão parcial. E também porque as melhoras dos anos Clinton não duraram muito: a bolha do mercado de valores explodiu criando uma recessão em 2001; os lucros da recuperação posterior foram principalmente para os bolsos do um por cento da população mais rica e depois a bolha imobiliária explodiu, causando a pior recessão desde a Grande Depressão – da qual ainda estamos nos recuperando.

O desemprego hoje está consideravelmente por cima do nível do primeiro ano do mandato de Clinton e a pobreza voltou a crescer dramaticamente; e poderíamos levar mais uma década para recuperar o pleno emprego. Ao contrário, na Venezuela, o progresso não se deteve; não tem volta atrás, agora que a maioria da população se acostumou a dividir a riqueza petroleira do país, não só mediante programas do governo, mas principalmente graças a um maior nível de emprego e de renda no setor privado. Talvez isso não seja suficientemente "revolucionário" para Anderson, mas é suficiente para que os venezuelanos continuem reelegendo seu presidente e seu partido.

Quanto à imprensa, é um fenômeno marcante essa efusão de animosidade em relação a Chávez e seu governo, ao longo de todo o espectro da mídia ocidental. Como é possível que esse presidente eleito democraticamente, que não matou ninguém e nem invadiu nenhum país tenha mais imprensa negativa do que Saddam Hussein teve (com exceção dos meses anteriores à invasão do Iraque)? Até quando ele está lutando pela própria vida?

A informação propagada pela mídia ocidental foi eficaz. Convenceu a maioria das pessoas de fora da Venezuela que o país está sendo conduzido por uma espécie de ditador que o arruinou. Para a sorte dos venezuelanos, eles têm acesso a mais informação sobre seu país que os estrangeiros, que se baseiam em alguns veículos de comunicação imparciais e frequentemente inexatos. Então eles continuam reelegendo o presidente e o partido que melhorou suas vidas, para ainda maior desgosto dos principais meios de comunicação e de seus amigos.

Mark Weisbrot é economista e codiretor do Center for the Economic and Policy Research. É autor, com Dean Baker, de Social Security: the Phony Crisis.

Artigo publicado originalmente em Al Jazeera. VIA: Opera Mundi

Nos EUA, Lula prega direitos globalizados para trabalhadores



Nos EUA, Lula prega direitos globalizados para trabalhadores

Falando a sindicalistas, ele ironizou sistema financeiro: “Quando estourou a crise, o deus mercado foi socorrido pelo diabo Estado”

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou neste domingo (03/02) as principais centrais sindicais do mundo a pressionarem os países do G20 a rever sua conduta em relação às consequências da crise econômica.

Lula lembrou uma série de decisões aprovadas pela cúpula em abril de 2009 – direcionadas ao estímulo ao desenvolvimento sustentável e o zelo às condições sociais e ambientais do planeta.

“Se a economia é globalizada, a produção é globalizada e os lucros são globalizados, os direitos dos trabalhadores têm de ser globalizados também”, afirmou, no discurso de abertura de de uma conferência promovida pelo United Auto Worker (UAW).

O presidente da UAW, Bob King, afirmou ter convidado o ex-presidente brasileiro por ter sido o único chefe de Estado a combater os efeitos das tragédias provocadas pelo sistema bancário a partir de 2008 nos países do mundo. “Enquanto todos falavam em austeridade, Lula apostava em prosperidade. Por isso o Brasil soube suportar a crise melhor que os demais, inclusive os Estados Unidos”, disse.



Em reunião informal ocorrida horas antes da abertura, Lula havia dito que é papel do movimento sindical se organizar para, além de cuidar dos assuntos específicos dos trabalhadores, promover a luta de toda a sociedade. “A luta dos trabalhadores, se for só por salários e melhores condições de vida, chega um momento em que ela perde a continuação. Então o trabalhador diz 'eu estou empregado, eu tenho uma casa, eu tenho um carro, então não preciso mais lutar’”, disse, conclamando as principais entidades sindicais mundiais a se organizarem para pressionar o grupo dos 20 países mais desenvolvidos.

“O sistema financeiro não tinha direito de fazer o que fez ao mundo”, afirmou, referindo-se ao fato de o mercado impor seus interesses aos das pessoas, ter provocado a crise e, agora, dizer como resolvê-la. “Quando a crise apertou, o deus mercado foi pedir socorro ao diabo estado”, ironizou.

Lula alfinetou também a direção mundial do grupo Renault/Nissan por estimular práticas antissindicais nas unidades da empresa nos Estados Unidos. “Como se pode falar em democracia e em liberdade se não há liberdade de o trabalhador se organizar?”, criticou. O UAW move uma campanha para convencer a direção da Nissan a realizar uma eleição em sua planta de Canton, no estado do Mississippi, para que os funcionários possam decidir se admitem a entidade como sua representante sindical. A Nissan rebate a campanha com ameaças de desativar a unidade.

FONTE: Opera Mundi

Astrium cria subsidiária no Brasil

Astrium cria subsidiária no Brasil

Divisão especial da EADS aposta no programa espacial brasileiro

A Astrium, divisão espacial da gigante europeia EADS, está fortalecendo a sua presença no Brasil para tentar participar de forma mais efetiva do programa espacial brasileiro. O Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) indica a necessidade de um investimento de R$ 9,1 bilhões nos próximos dez anos no setor.


“O Brasil, embora ocupe um lugar importante no cenário econômico mundial, ainda não integra o grupo de países que dominam a tecnologia espacial”, disse o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Astrium na América Latina, Jean Noel Hardy.

Segundo o executivo, mesmo assim a Astrium acredita no potencial espacial do Brasil e, por isso, acaba de criar a subsidiária Astrium Brasil. A companhia está presente no país desde 2006 com a Equatorial Sistemas, de São José dos Campos, e a Astrium Services, antiga Spot Image. Em 2012, a Astrium registrou uma receita de € 5,8 bilhões, 7% maior que em 2011.

Fornecedora do programa espacial brasileiro desde 1996, a Equatorial atuou no programa do satélite CBERS-3, feito em parceria com a China e para o qual desenvolveu uma câmera WFI (sigla em inglês para câmera de grande campo de visada) e um gravador digital de dados para o satélite brasileiro Amazônia-1, em fase de desenvolvimento. O CBERS-3 tem lançamento previsto para maio.

A Equatorial foi contratada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para o fornecimento dos sistemas aos satélites CBERS-3 e Amazônia. Segundo o presidente da Equatorial, César Ghizoni, os dois contratos estão avaliados em cerca de R$ 60 milhões.

Em 2012, de acordo com o executivo, a Equatorial gerou receitas de R$ 9,5 milhões, ante os R$ 6,8 milhões do ano anterior. Entre os novos contratos previstos para este ano, Ghizoni cita o fornecimento de cabos do sistema elétrico do satélite Amazônia-1 e um contrato com a GMV, empresa europeia que fornece sistemas de navegação de satélites.

A GMV está desenvolvendo seu sistema em parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), disse o presidente da Equatorial. (VS)

FONTE: Valor, via Resenha do EB